Espiritismo

https://blogoliviaespirita.blogspot.com.br/2016/08/espiritismo-tem-dogmas-o-espiritismo.html



http://www.institutoandreluiz.org/espiritismo.html



O QUE É ESPIRITISMO?



É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita:



O Livro dos Espíritos,

O Livro dos Médiuns,

O Evangelho segundo o Espiritismo,

O Céu e o Inferno e A Gênese.



“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”



Allan Kardec (O que é o Espiritismo – Preâmbulo)



“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido:

conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”



Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo

– cap. VI – 4).



O QUE REVELA:

Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.
Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.




SUA ABRANGÊNCIA:
Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.
Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.




SEUS ENSINOS FUNDAMENTAIS:
Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.




O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais.



Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados.



No Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.
Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor.




Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.
O homem é um Espírito encarnado em um corpo material.




O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.



Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.
Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.




Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.
Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu próprio aprimoramento.
Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.


Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima;

Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina;

Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram.


Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação.

Os imperfeitos nos induzem ao erro.



Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade.



E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus.

A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências de suas ações.
A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.




A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a idéia da existência do Criador.
A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. é este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.




(Fonte: FEB e SobreSites)






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Kardec diz:


"Conhece-se o verdadeiro espíríta pela sua transformação moral e pelo esforço que emprega para domar suas más inclinações"


Seja Bem Vindo!



"Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim.

Ou são ramos da mesma árvore majestosa.
Portanto, são todas verdadeiras."

Mahatma Gandhi








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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Algo por Eles Neste Natal


Compadece-te de todos aqueles que não podem ou não sabem esperar. Estão eles em toda parte...
Quase sempre são vítimas da inquietação e do medo. Observa quantos já transpuseram as linhas da própria segurança.
São casais que não se toleram nas primeiras rusgas do matrimônio e desfazem a união em que se compromissaram, abraçando riscos pelos quais, em muitas circunstâncias, cedo se encaminham para sofrimento maior;
são mães que rejeitam os filhos que carregam no seio, entregando-se à prática do aborto, recusando a presença de criaturas que se lhes fariam instrumentos de redenção e reconforto no futuro, caindo, às vezes, em largas faixas de doença ou desequilíbrio;
são homens que repelem os problemas inerentes às tarefas que lhes dizem respeito, escapando para situações duvidosas, sob a alegação de que procuram distração e repouso, quando apenas estão dilapidando a estabilidade das obras que, mais tarde, lhes propiciariam refazimento e descanso;
são amigos doentes ou desesperados que se rebelam contra os supostos desgostos da vida e se inclinam para o suicídio, destruindo os recursos e oportunidades que transportariam para a conquista da vitória e da paz em si mesmos;
são jovens, famintos de liberdade e prazer que, impedidos naturalmente do acesso a satisfações imediatas, se engolfam no abuso dos alucinógenos, estragando as faculdades com que o tempo os auxiliaria na construção da felicidade porvindoura.
Neste NATAL, façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança.
Pronuncia algumas frases de otimismo e encorajamento; escreve algum bilhete que os reanime para a bênção de viver e servir; estende simpatia em algum gesto espontâneo de gentileza; repete consideração e concurso amigo nos diálogos que colaborem na sustentação da paz e da solidariedade.
Não te declares sem possibilidade de contribuir, nem digas que tens todas as tuas horas repletas de encargos e serviços dos quais não te podes distanciar.
Faze algo, no soerguimento do bem.
Nas realizações da fraternidade, quem ama faz o tempo.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Deus Aguarda. Ditado pelo Espírito Meimei. 

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Problemas Pessoais


A fé viva não é patrimônio transferível. É conquista pessoal.

*

A felicidade legítima não é mercadoria que se empresta. É realização íntima.

*

A graça do Céu não desce a esmo. Tem que ser merecida.

*

A melhor caridade não é a que se faz por substitutos. Cabe-nos executá-la por nós mesmos.

*

A fortaleza moral não é produto de rogos alheios. Provém do nosso esforço na resistência para o bem.

*

A esperança fiel não se nos fixa no coração através de simples contágio. É fruto de compreensão mais alta.

*

O verdadeiro amor não nasce das sombras do desejo. É fonte cristalina e inexaurível do espírito eterno.

*

O conhecimento real não é construção de alguns dias. É obra do tempo.

*

O paraíso jamais será adquirido pela sagacidade da compra. É atingível pela nossa boa-vontade em fugir ao purgatório ou ao inferno da própria consciência.

*

A proteção da Esfera Superior é inegável para todos nós que ainda nos movimentamos na sombra. Ai de nós, todavia, se não procurarmos as bênçãos da luz!...

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã. Ditado pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 


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domingo, 11 de dezembro de 2011

Mãezinha

Mãezinha

Quando o Pai Celestial precisou colocar na Terra as primeiras criancinhas, chegou à conclusão de que devia chamar alguém que soubesse perdoar infinitamente.
De alguém que não enxergasse o mal.
Que quisesse ajudar sem exigir pagamento.

APELO DE UM IDOSO


Dizem que sou um velho. Por vezes, você passa por mim, com um grupo de amigos e ri do meu andar lento e atrapalhado.

Você pode achar que eu não percebo os seus risos. Contudo eles me ferem, porque eu gostaria de andar rápido como fazia há tão pouco tempo. Mas as pernas não obedecem ao meu comando com presteza.

Às vezes, não consigo distinguir com clareza o letreiro do ônibus e acabo por tomar a direção errada.
Motorista, tenha um pouco de paciência comigo. Reconheço que você tem horário a cumprir, que muitos reclamam do seu desempenho, das suas freadas e da sua forma de dirigir.

Pense um pouco. Não errei por querer lhe atrapalhar, simplesmente me enganei. Pense em quantas vezes você já se enganou na vida e precisou da compreensão dos outros.

Explique-me onde descer, de preferência aquele ponto que seja menos complicado para eu retornar ao lugar onde estava e depois tomar o ônibus certo.

Ajude-me. Eu poderia ser seu avô, a quem, com certeza, você trata com carinho e atenção.

Se eu tivesse um neto como você, possivelmente não andaria sozinho pelas ruas. Ele me tomaria pela mão e me guiaria, impedindo que eu corresse tantos riscos.

Ah, não esqueça. Quando eu estiver atravessando a rua e o sinal abrir, espere um minutinho mais.

Não me apresse com buzina ou arrancada brusca. Posso tentar ser mais rápido e cair.

Você que anda pela rua e é indagado por mim a respeito de algum local, use de paciência.

Posso demorar um pouquinho para desdobrar o papel que trago no bolso com o endereço exato de onde eu devo chegar. Minhas mãos tremem e os dedos parecem rígidos.

Espere que eu pergunte e se eu não entender, explique outra vez. Pense em quantas vezes você já pediu a seus pais, seus professores, seus colegas que repetissem a explicação de algo que você não entendeu.

Procure ser claro. Fale devagar. Se possível, me acompanhe até o local mais próximo de onde eu devo chegar.
Você que está na fila do caixa eletrônico, tenha calma. Preciso fazer tudo devagar. Afinal, ainda não consegui assimilar as grandes mudanças da eletrônica.

Passar o cartão, guardar números de memória, a tal da senha e digitar... Tudo é um tanto complicado. Eu consigo fazer direitinho, se você me der um tempo.

Lembre: sou um idoso, hoje. Já fui jovem, fui ágil, preciso, produtivo.

Também fui impaciente. O tempo me ensinou a ter paciência comigo mesmo, pois já não consigo fazer tudo que desejaria. E com os outros que não conquistaram ainda a paciência.

A comunidade que despreza os seus idosos está longe do caminho da civilização. Mesmo que tecnologicamente apresente avanços surpreendentes, se não alcançou o respeito à vida humana, aos mais velhos, aos mais fracos, ainda necessita andar muito.

A mais elevada nação será aquela que souber amparar o mais fraco. Que estabelecer programas de atendimento especializado aos necessitados e primar pela atenção àqueles que se esforçaram para que as leis fossem implantadas, a economia direcionada e a felicidade florescesse nos corações da infância, da juventude e da madureza.



Redação do Momento Espírita. Do site: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3256&stat=0.


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sábado, 10 de dezembro de 2011

Meditação

 http://br.groups.yahoo.com/group/reflexaoespirita/message/3041


Reserva-te alguns minutos para a meditação antes de tomares atitudes, de assumires compromissos.
Os melhores conselhos que recebas são guias e não soluções.
Os teus problemas pertencem-te e a ti cabe solucioná-los.
Transferir responsabilidades para os outros é fugir ao dever.
Como não é justo que te acredites responsável por tudo, também não é correto que culpes os outros por todas as ocorrências infelizes que te alcancem.
Renovação moral é compromisso para já, e não para oportunamente.
Cada vez que postergas a ação dignificadora em favor de ti mesmo, as circunstâncias se tornam mais complexas e difíceis.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Parentela


"E disse-lhe: Sai de tua terra e dentre a tua parentela e dirige-te à terra que eu te mostrar." - (ATOS, capítulo 7, versículo 3.)

Nos círculos da fé, vários candidatos à posição de discípulos de Jesus queixam-se da sistemática oposição dos parentes, com respeito aos princípios que esposaram para as aquisições de ordem religiosa.

Nem sempre os laços de sangue reúnem as almas essencialmente afins. Freqüentemente, pelas imposições da consangüinidade, grandes inimigos são obrigados ao abraço diuturno, sob o mesmo teto.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Consciência de Culpa

A consciência de culpa atinge o mundo íntimo da criatura, na qualidade de um autêntico flagelo.
A partir do momento em que se instala, desequilibra as emoções e pode levar à loucura.
A consciência pesada evidencia uma certa imaturidade psicológica, pois denota que a pessoa agiu em descompasso com seus valores ou ideais, ou o fez sem refletir, em um rompante.
O indivíduo por vezes se permite comportamentos incorretos, que lhe agradam às sensações, para posteriormente se auto-punir, entregando-se a arrependimento estéril.
A ciência dos erros passados pune com rudeza o infrator, perante si próprio, mas não o corrige para o futuro.
O cumprimento de uma penitência, embora constitua evento doloroso, nada repara e por isso não traz a plenitude psicológica curativa promovida pelas ações positivas.
O que foi feito não mais pode ser impedido ou evitado.
Disparada uma flecha, ela segue seu rumo.
Se uma ação foi ruim, o importante é reparar os danos que causou.
Todo homem que se considera fraco, não desenvolvendo esforços para fortalecer-se, torna-se de fato débil de forças.
É um sinal de covardia e infantilidade justificar um erro com auto-flagelação, sem sanar as conseqüências, tornando a ele na primeira oportunidade, sob a alegação de fraqueza.
É nobre assumir o próprio equívoco, meditar serenamente sobre ele, arcar de forma corajosa com seus efeitos e repará-los do modo mais perfeito possível.
O difícil processo de reverter os resultados de um ato indigno tende a ser eficiente antídoto para novas experiências.
Tome-se o exemplo de uma mulher que voluntariamente faz um aborto.
Sua consciência pesa e ela pode desenvolver neuroses variadas, mantendo a mente focada no agir equivocado, a essa altura irremediável.
Mas essa mulher também pode, de modo muito mais proveitoso, dedicar as horas de seu tempo dispensando amor e cuidados a crianças órfãs.
Ela teve a desdita de rejeitar o filho que Deus, em sua infinita sabedoria, lhe confiou, mas nada a impede de adotar, por filhos do coração, os pequenos desamparados do mundo.
O tempo aplicado nessa tarefa é infinitamente mais útil do que se for perdido em lamentações.
Além de desempenhar, de certa forma, a missão materna que lhe estava destinada, o contato com a infância desvalida pode sensibilizá-la para as inefáveis bênçãos da maternidade.
Tudo isso tem o condão de funcionar como medida preventiva de novos desatinos.
Por outro lado, o remorso inativo e estéril, ao desequilibrar a personalidade abre as portas para os mais diversos equívocos, dos quais nada de bom resulta.
A partir do momento em que se elege como meta uma vida de paz, com a consciência tranqüila, há um preço a ser pago: a perseverança no dever.
Dignidade, harmonia, equilíbrio entre consciência e conduta não ocorrem ao acaso e nem se podem improvisar.
Tais virtudes devem ser conquistadas no dia-a-dia, mediante seu perseverante exercício.
Mas, em face de dificuldades para agir corretamente, por uma atitude viciosa encontrar-se muito arraigada, há sempre um derradeiro recurso: a oração.
*
Deus dispõe de infinito manancial de paz, sempre à disposição de suas criaturas, desde que estas o busquem com sinceridade e fervor.
O homem manifestando a firme intenção de resistir ao mal, a divindade por certo o fortalecerá no bem, pois foi o próprio Cristo quem afirmou: "pedi e obtereis".

Equipe de Redação do Momento Espírita. Texto baseado no capítulo IX do livro Momentos de Saúde, do Espírito Joanna de Ângelis, mediante a psicografia de Divaldo Pereira Franco.. 

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PROTEÇÃO E REALIDADE

Praticando a proteção caridosa, Uriel, entidade angélica, transportara Levindo para uma colônia celestial, cheia de flores abertas e bonançosos ventos, onde almas laboriosas descansavam da luta humana e trabalhavam pela conquista do porvir na esfera superior.

Levindo não cometera crimes que abalassem a opinião dos homens; entretanto, extraíra da existência terrestre todos os proveitos e vantagens suscetíveis de favorecer as paixões inferiores. Estragara, na mocidade, os melhores anos do corpo, perseverara nos prazeres menos dignos em todo o curso da idade madura e, ainda na velhice precoce, fazia questão de parecer um jovem da época, peralta e conquistador.

A moléstia do fígado retivera-o no leito, durante meses; contudo, não lhe atendia o enfermo aos convites de meditação e, longe de tratar convenientemente da enfermidade, lutou, desesperado, contra a sua influenciação invisível, bombardeando-a com venenos químicos de variadas espécies. Duelava e reclamava, choramingando. Queria mais algum tempo na Terra para solucionar alguns negócios, dizia em pranto. Precisava liquidar certos problemas que a sua confiança no corpo adiara indefinidamente, mas o organismo exausto não lhe satisfazia as solicitações. As células cansadas enviavam à mente enérgico ultimato, exigindo independência. Haviam servido, sem cessar, a um tirano que lhes não oferecera tréguas, durante muitos anos de trabalho em comum.

Debalde, recorreu a remédios e providências.

Angustiado, Levindo recebeu a visita da morte numa noite escura e chuvosa, em que a ventania lhe roçava a janela, como lamentoso soluço. Teve medo, experimentou o inenarrável pavor do desconhecido e gritou estentoricamente. Todavia, seus gritos ecoavam noutras dimensões e não atingiam, agora, os ouvidos familiares. A esposa chorava copiosamente, beijando as mãos do seu corpo hirto, mostrando-se, porém, absolutamente insensível aos seus abraços de náufrago, a debater-se num mar pesado de sombras.

Alguém, no entanto, velava por ele, com generosidade fraternal. Era Uriel, o amigo invisível.

Recolheu-o com ternura e cerrou-lhe as pálpebras num sono tranquilo. Que não pode fazer no Universo o magnetismo divino do amor? Uriel amava o companheiro e, por isso, podia protegê-la, envolvendo-o nos eflúvios de sua alma rica de luz.

O benfeitor deu-lhe, igualmente, uma rês, onde Levindo gozou abençoado sono de longas horas.

Acordando, contemplou o amigo que o amparava em silêncio. O pobre companheiro, recentemente desencarnado, crivou o mensageiro espiritual de perguntas e admoestações. Como passavam a mulher e os filhos? A Providência devia recambiá-la ao mundo, com bastante possibilidade de resolver os seus interêsses. Em verdade, poderia ter sido mais previdente. Mas, como poderia saber? E a casa? E a organização comercial que lhe custara incessantes desgostos? Estariam de acordo com os desejos dele?

Confortou-o Uriel, com palavras de esperança e amor, tentando tranqüilizá-lo.

Em seguida, usando a autoridade de que podia dispor, conduziu-o a encantadora cidade espiritual, acolhedora e feliz, pequeno céu onde se congregavam espíritos libertos das paixões inferiores, a caminho de sublime purificação.

O dedicado benfeitor apresentou-o aos companheiros. Todos julgaram tratar-se de alguém à altura da luminosa expressão daquele paraíso de entendimento. Todavia, logo após as primeiras saudações, Levindo revelava-se de maneira deprimente, perguntando, em lágrimas, sobre situações, pessoas e coisas que haviam ficado, à distância, na luta material. A um amigo do novo ambiente, que se identificava pelo nome de Almeida, indagou de antigo devedor de sua organização comercial, que se fazia conhecer no campo terrestre pelo mesmo nome, acrescentando que a dívida do infeliz encarnado montava a mais de cem mil cruzeiros. O interpelado respondeu sorrindo:

– Quem sabe? É possível que esteja no quadro de meus antigos familiares. Somos tantos Almeidas! entretanto, nada lhe posso adiantar agora. Deixei o sangue terreno, há muitos anos!...

Provavelmente, Levindo desejaria reaver o dinheiro, embora fosse outra a moeda em circulação.

Por mais que Uriel lhe aconselhasse serenidade e senso prático na nova situação, continuava ele em estado de grave exaltação passional.

As brisas cariciosas e o divino céu inflamado de ouro e azul brilhante, as flores matizadas de luz e as tôrres resplandecentes não conseguiam modificar-lhe a mente apaixonada pelas sensações mais grosseiras da Terra. Se os amigos lhe recomendavam a oração, respondia, em desespero:

– Como entregar-me à prece? Não posso.

Não sei como passam minha mulher, meus filhos, meus negócios. Como teriam sido utilizados meus títulos bancários? E o inventário de meus bens? será que a partilha se verificou justiceiramente?

E de rosto nas mãos crispadas, debulhava-se em pranto.

Qualquer conversação fraternal acabava em crises angustiosas.

Uriel esforçava-se em vão, até que, um dia, o grande orientador da comunidade espiritual chamou-o delicadamente, falando-lhe com franqueza:

– Uriel, você ama bastante a Levindo?

– Sim.

– Sabe, porem, que a proteção afetuosa somente pode dar resultados benéficos quando o protegido compreende o benefício e deseja recebê-lo?

– Sei.

– Então, ouça: poderia ele permanecer aqui, em nosso recanto celeste, mas a mente do infeliz airada está no inferno que se esforça por conservar indefinidamente, depois da morte do corpo. Não intente violentar as leis evolutivas.

O benfeitor inclinou a cabeça em sinal de assentimento e permaneceu silencioso, enquanto Levindo era chamado a outras providências.

Advertido pelo grande orientador, respondeu, chorando, que precisava regressar, que a família humana carecia dele, que os negócios deviam estar parados, à sua espera, que necessitava chamar os antigos devedores à prestação de contas. De qualquer modo, desejava partir.

O dirigente da cidade entregou a Uriel uma chave e recomendou:

– Abra-lhe a porta e deixe-o procurar o que lhe pertence.

Nesse mesmo dia, cheio de esperança, Levindo precipitou-se no purgatório terrível, onde a convivência com os demônios do mal lhe curaria a cegueira, com o sofrimento corretivo.



pelo Espírito Irmão X - Do livro: Lázaro Redivivo, Médium: Francisco Cândido Xavier.
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Você Mesmo

 http://br.groups.yahoo.com/group/reflexaoespirita/message/1835


Lembre-se de que você mesmo é:
O melhor secretário de sua tarefa.
O mais eficiente propagandista de seus ideais.
A mais clara demonstração de seus princípios.
O mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros.
Não se esqueça, igualmente, de que:
O maior inimigo de suas realizações mais nobres, a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa.
A nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar.
O arquiteto de suas aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Agenda Cristã. Ditado pelo Espírito André Luiz. Rio de Janeiro, RJ: FEB.


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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

OS MINUTOS DE DEUS



Se é imperioso reconhecer a nossa obrigação de dar a César o que é de César, somos constrangidos a observar que a experiência material reclama excessivamente da criatura.

O homem, quando integrado em suas funções habituais, é convidado a obrigações mil a cada dia.

Preocupações, ansiedades, exigências e ilusões obscurecem a visão da alma encarnada que, pouco a pouco, quase sempre, desce devagar ao abismo largo da tristeza e do desencanto, quando não dispõe dos recursos da fé.

Isso, contudo, acontece vulgarmente, porque raros são os homens que se lembram dos minutos de Deus, no círculo das horas.

Não nos esqueçamos de que o poder humano, seja qual for a sua origem, procede do Eterno Pai, e, se é justo pagar os tributos que nos competem na esfera densa, quando nos envolvemos nos fluidos carnais, ninguém está impedido de libertar-se, em espírito, a fim de procurar o Senhor e fruir-Lhe a bondade infinita.

Inicia a tua obra de auto-libertação, concedendo alguns instantes ao Criador em suas criaturas e em suas edificações, cada dia, distribuindo algo de ti mesmo em amor, em generosidade, em paz, cooperação, bom ânimo e alegria e observarás que o espaço e o tempo do Senhor, em tua vida, crescerão gradativamente, exonerando-te de pesados impostos para com a experiência comum.

Entrega a César o que a ele pertence, mas não olvides as obrigações que nos ligam ao alto, porque, assim, nos adiantaremos para as Celestes Moradias, confiando os nossos melhores sentimentos ao culto da fraternidade, com trabalho espontâneo a benefício dos nossos semelhantes, em toda parte.

Ninguém permanece inibido de cultivar a verdadeira felicidade, que somente floresce e frutifica no santuário do coração.

Consagramos, pois, a Deus, os minutos de bondade e harmonia que devemos improvisar em Seu Nome, em favor da comunidade, dentro da qual evoluímos na luta cotidiana, e o Senhor, em sua magnanimidade imensurável, nos entregará a Eternidade com libertação imperecível.



pelo Espírito Emmanuel - Do livro: Escrínio de Luz, Médium: Francisco Cândido Xavier.


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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PORTAL DE LUCIDES

O Espiritismo é o portal excelente por onde podem adentrar todos quantos estejam dispostos a executar, com segurança, o programa da própria encarnação.

Em cada hora, em cada experiência humana, apresentam-se inúmeros desafios que exigem o indispensável descortino de todas as razões que nos trouxeram às novas lidas do mundo corpóreo.

É no conhecimento espírita que achamos, com lucidez e simplicidade, os motivos pelos quais todos os encarnados devem utilizar do melhor modo as oportunidades benditas de estarem usufruindo as horas importantes da atividade terrena.

Quantas dúvidas, quantas inseguranças, quantos temores se espalham pelas pautas da exuberante vida? É na Doutrina Espírita que temos o locus em que desfazemos dúvidas, galgamos os campos da segurança e solucionamos o drama dos medos humanos, pelas explicações de todo convincentes que nos oferta.

O ensejo de conhecer as nossas origens e de saber, de fato, quem somos, o papel que devemos desempenhar ao largo da trajetória no mundo bem como a destinação da alma, após o despojamento carnal, são elementos grandíssimos de ajustamento da nossa razão ao sumo bem, incentivando-nos a aderir às práticas dos atos enobrecidos em toda e qualquer relação social, pelo mundo afora.

Há, em múltiplos setores da vida na Terra, a concepção de que, por si mesma, a matéria propriamente dita seja apta a conceder todas as respostas ansiadas pelo indivíduo enredado no campo das suas provações terrestres. Nos fundamentos do Espiritismo, no entanto, identificamos a sobrevalência do ser espiritual que responde pela própria dinâmica da matéria bruta, desfigurando de modo expressivo toda a empafiosa manifestação das teses materialistas, irrompidas aqui e ali.

Pelos movimentos sociais do mundo, nas relações entre as criaturas, vulgarizou-se a ideia de que se vive bem quando se pode acumular bens materiais, produtos, moedas, joias, fama ou poder. É o Espiritismo, no entanto, que alumia esses territórios das mentes e comprova, por sua imbatível logicidade e pelo bom senso em que se exprime, que todas as coisas servem apenas para as nossas lidas do mundo, ajudando-nos a desenvolver aptidões e mentalidade. Deverão permanecer no chão terrestre, nada obstante, sem qualquer chance de adentrar com as almas os campos da Vida Imortal.

O Espiritismo demonstra a utilidade do uso de todas as coisas, desde que com grandeza moral, para o progresso da individualidade imortal, tendo-se em consideração que elas existem para que possam auxiliar o ser perene em sua escalada ascensional.

Vemos porque vale a pena considerar o Espiritismo como portal luminoso, por onde sonham adentrar os Espíritos ansiosos por viver melhor e por tornarem sua vida bem-aventurada, mais plena e significativa para si mesmos.

Sem embargo, não nos deverão faltar o bom senso eminentemente kardequiano nem a firmeza de propósitos, que nos capacitam ao bom aproveitamento do tempo que a todos nos é concedido.

Espiritismo: conhecimento – trabalho – amor – renovação. Uma vez que nos ponhamos atentos a essas dimensões pertinentes à eminente Doutrina, conseguiremos participar dos programas do Cristo, com relação à regeneração planetária e à emancipação espiritual de cada um de nós.



pelo Espírito Camilo Chaves - Mensagem psicografada por Raul Teixeira, em 7.11.2009, durante a Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, DF. Do site: http://www.raulteixeira.com/mensagens.php?not=203.


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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Uma Versão Diferente


É muito natural, hoje em dia, a discussão acerca do abortamento. Um assunto como esse não poderia merecer menor atenção das pessoas, pela seriedade com que se apresenta.

Quando tratamos dessas questões, poderíamos ir um pouco mais fundo em nosso raciocínio, perguntando-nos se, em algum momento de nossas vidas, já não cometemos algum tipo de abortamento.

Talvez a primeira resposta que nos venha à mente é a de que nunca cometemos um abortamento. Pelo menos, não no que se refira à interrupção da gestação de um corpo.

Mas se pensarmos de forma mais abrangente, podemos dizer que provocamos um aborto toda vez que, por um motivo ou outro, impedimos que boas idéias se manifestem.

Quando impedimos que uma pessoa expresse seus sentimentos, suas opiniões.

Ou se não contribuímos com o que temos de bom para alguém, estamos abortando as oportunidades que as situações nos oferecem.

Se pensarmos bem, esses fatos ocorrem com freqüência em nossas vidas.

Se estamos ceifando idéias, reprimindo fatos, matando bons pensamentos, estamos provocando o abortamento das boas coisas.

Quando, no lar, não permitimos que as idéias dos demais familiares sejam expressadas; quando não permitimos que um filho ou irmão nos conte algum fato; quando não damos a devida atenção às suas conversas, podemos estar cometendo um abortamento dos mais sérios, porque impedimos que a boa desenvoltura, o interesse, a confiança da criança se manifeste.

Talvez esses fatos não nos pareçam importantes, mas se não colaboramos para o bom entendimento familiar, através do diálogo, valorizando as boas idéias, as opiniões, andamos pelas vias do egoísmo, praticando o abortamento das oportunidades de crescimento e harmonia.

Devemos meditar acerca do assunto, e examinar se não estamos cometendo muitos abortamentos desse tipo.

As boas idéias, as grandes realizações sempre exigiram um tempo para acontecer, um tempo que se faz natural para que as coisas amadureçam e venham a frutificar no tempo certo.

É assim que se dá com a formação da vida física, que requer um tempo determinado para que o corpo se forme e possa vir à luz.

Dê uma chance às boas idéias, às opiniões construtivas, para que a vida se faça pelas boas realizações de cada dia, na construção conjunta de um futuro melhor, como Deus que nos renova a cada dia a certeza de que viver é para sempre.

*

Amar ao próximo como a si mesmo, e fazer pelos outros o que gostaríamos que os outros fizessem por nós é a expressão máxima da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.

Não podemos encontrar guia mais seguro a tal respeito do que fazer ao próximo aquilo que para nós desejamos.

Quando permitimos e respeitamos o espaço das pessoas que convivem conosco, ouvindo com atenção as suas idéias e respeitando suas opiniões, estamos no rumo certo para a destruição do egoísmo.

Pensemos nisso!

Redação do Momento Espírita. Texto baseado no item 4 do cap. XI, de O evangelho segundo o espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb. Em 11.04.2008.. 

* * * Estude Kardec * * *


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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Problemas do Mundo


O mundo está repleto de ouro
Ouro no solo. Ouro no mar. Ouro nos cofres.
Mas o ouro não resolve o problema da miséria.
O mundo está repleto de espaço.
Espaço nos continentes. Espaço nas cidades. Espaço nos campos.
Mas o espaço não resolve o problema da cobiça.
O mundo está repleto de cultura.
Cultura no ensino. Cultura na técnica. Cultura na opinião.
Mas a cultura da inteligência não resolve o problema do egoísmo.
O mundo está repleto de teorias. Teorias nas escolas filosóficas. Teoria nas religiões.
Mas as teorias não resolvem o problema do desespero.
O mundo está repleto de organizações.
Organizações administrativas. Organizações econômicas. Organizações sociais.
Mas as organizações não resolvem o problema do crime.
Para extinguir a chaga da ignorância, que acalenta a miséria; para dissipar a sombra da cobiça, que gera a ilusão; para extinguir o monstro do egoísmo que promove a guerra; para anular o verme do desespero, que promove a loucura, e para remover o charco do crime, que carreia o infortúnio, o único remédio eficiente é o Evangelho de Jesus no coração humano.
Sejamos, assim, valorosos, estendendo a Doutrina Espírita que desentranha da letra, na construção da Humanidade nova, irradiando a influência e a inspiração do Divino Mestre, pela emoção e pela idéia, pela diretriz e pela conduta, pela palavra e pelo exemplo e parafraseando o conceito inolvidável de Allan Kardec, em torno da caridade, proclamemos aos problemas do mundo: "Fora do Cristo não há solução".

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: O Espírito da Verdade. Ditado pelo Espírito Bezerra de Menezes. FEB.


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terça-feira, 22 de novembro de 2011

A SUAVE COMPENSAÇÃO

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- Foi Wells que, em uma das suas audaciosas fantasias, descreveu o vale escuro e triste onde um punhado de homens havia perdido as faculdades visuais. Tudo para eles era a mesma noite uniforme, onde se arrastavam como sombras da vida.

As gerações se haviam sucedido incessantemente, os séculos passaram e aqueles seres apagaram da lembrança as tradições dos antepassados que lhes falavam do estranho poder dos olhos, os quais, em seus organismos, nada mais eram que duas conchas de treva.

O mundo para eles estava circunscrito àquela prisão escura. Os trovões e o vozerio lamentoso dos ventos da tarde significavam, para a sua acuidade auditiva, as advertências das bruxas que povoavam o seu deserto, e o chilrear dos passarinhos o suave consolo que lhes prodigalizavam os gênios carinhosos e alegres.

Eis, porém, que, um dia, desce ao vale misterioso um homem que vê. Fala aos filhos da treva das grandes maravilhas do mundo, dos tesouros amontoados nos seus impérios, das faiscantes grinaldas de luz dos plenilúnios, do entusiasmo colorido das auroras de primavera, de tudo o que as mãos dadivosas do Senhor puseram nas páginas imensas do livro da Natureza, para o encanto fugitivo dos homens.

Em resposta, porém, ouve-se no calabouço um clamor de gargalhadas e de apreensões.

O homem da noite examina com as suas mãos o homem do dia e supõe descobrir a origem dos seus disparates, descrevendo coisas inverossímeis para ele, atribuindo aos seus olhos a causa da sua loucura, concluindo pela necessidade de se lhe arrancarem esses órgãos incômodos, como excrescências daninhas.

Essa fantasia é aplicável ao mundo terreno, em se tratando das verdades novas. Eu sei disso porque também perambulei entre as furnas sombrias desse vale de trevamisteriosa, onde se reúnem os que tiveram a infelicidade de perder os olhos dalma, desviando-se do progresso moral.

Envergando a minha camisa pobre na penitenciária do mundo, ri-me dos que me vinham contar as maravilhas deslumbrantes da pátria das almas. E, readquirindo os meus olhos nos países da Morte, aonde não cheguei a encontrar as águas tenebrosas do Tártaro e do Estige, venho hoje, como o viajante incompreendido, falar aos que são objeto da ação inibitória de uma cegueira cruel.

Não acredito na compreensão dos outros, com respeito aos meus argumentos de agora. Um morto nada tem que fazer no mundo daqueles que se presumem os únicos sobreviventes do Universo e preferi, por isso, o retraimento, quando os jornais abriram as suas colunas aos debates em torno das minhas palavras póstumas, recompensa justa ao meu péssimo gosto de voltar a essa prisão nevoenta da Vida.

Cheguei mesmo a ponderar que, na passagem evangélica em que o Senhor não permitiu a caridosa atenção de Lázaro para com a súplica do Rico, não foi com o objetivo de justiçá-los na balança do mérito e do demérito. Ainda aí, nessa hora de surpresas da lei das compensações, não poderia o Senhor fazer a apologia da indelicadeza. Nem o Rico voltou das labaredas fumegantes da sua consciência culpada e nem o Pobre do seu banquete de delícias, porque não valeria a pena transpor-se imensuráveis distâncias para dizer aos encarnados apenas aquilo que constitui para o seu entendimento uma verdade inacessível.

Muito antes de Hermes Tot, os homens já se curvavam ante os mistérios indevassados da Morte. Todos conhecem as suas realidades terríveis. Alexandre tinha conhecimento de que, sob o seu látego impiedoso, teria de apodrecer, apesar da opulência da sua glória, da pompa de suas conquistas, tendo as suas cinzas nobres confundidas, talvez, com a poeira do último dos miseráveis.

Mas, se há essa vida onde predominam a Justiça e o Amor, com o divino característico da eternidade esplendorosa, os homens estão absortos no Letes, afogados na carne para chorar e esquecer.

Os vivos são os vivos. Os mortos são os mortos. Toda a lógica da ciência humana está nessas frases curtas. Quando, porém, me entregava aos solilóquios do meu espírito, que nunca se considerou um vencido, ouvi a voz solene dos gênios que velam por nós das regiões azuladas para onde se elevam todas as nossas aspirações como fios de rosa e de ouro:

- "Não desanimes, tu que vieste da luta insana na amargurada existência das provas! Leva aos teus irmãos que sofrem o lenitivo da tua mensagem!... Dize-lhes da Misericórdia de Deus e da Suprema Justiça que rege os destinos! Se, na Terra, inúmeros Espíritos se perdem nos desfiladeiros do orgulho e da impiedade, lembra o microcosmo em que viveste, onde os mais pesados tributos são pagos ao Céu, em súplicas e esperanças..."

Energias novas infiltraram-se no meu ser.

Uma atração incoercível conduziu-me a Sebastianópolis, que faiscava. As luzes do dia arrancavam das suas praias uma paisagem fulgurante.

E gritei a todos, do alto do meu deslumbramento:

- "Não me vêem?.. Eu estou vivendo sem a tutela de espíritos malignos. Quase já não sou mais o homem carrancudo e triste, fechado na sua amargura de sofredor. É verdade que não poderei comparecer às reuniões de Espiritismo, como às sessões das quintas-feiras na Academia; mas, a morte não aniquilou a minha vida. Penso, luto e sofro como dantes, crendo, porém, na eternidade luminosa!. . ."

Ninguém, no entanto, me ouvia. Não pude fazer-me sentir nas avenidas ruidosas, regurgitando de transeuntes, parecendo-me, sob a influência das impressões físicas, que estava prestes a ser esmagado pelos automóveis de luxo.

Na minha desilusão, porém, ouço uma voz humilde e saltitante: .

- “Olhem as Mensagens de Além Túmulo”!...

Mensagens de Humberto de Campos!...

Era a figura miúda do Vendedor de jornais.

Mãos generosas entendiam-lhe os seus níqueis em troca da minha lembrança.

O seu mercado, nesse dia, foi certamente farto de compensações, porque um sorriso triunfante lhe aflorava nos lábios, enfeitando-lhe o corpo magrinho.

Bastou a tua alegria, oh! Menino amargurado dos morros que és triste ornamento da Cidade Maravilhosa, para que eu me sentisse compensado de muitas labutas, porque, se os meus companheiros não me compreenderam no patrimônio rico da sua intelectualidade, tu tiveste nesse dia, em memória do meu humilde nome, um pouco de alegria, de conforto e de pão.



pelo Espírito Humberto de Campos - Do livro: Crônicas de Além Túmulo, Médium: Francisco Cândido Xavier.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

O CAMINHO DA VERDADEIRA GLÓRIA¹



Amigos, Deus vos recompense.

A lembrança da prece me comove as fibras íntimas.²

O espírito liberto esquece o homem prisioneiro.

A alvorada não entende a sombra.

Tenho hoje dificuldade para compreender a luta que passou e, não fosse a responsabilidade que me enlaça ainda ao campo humano, em vista das aflições que me povoaram as últimas vigílias na carne, preferiria que as vossas recordações, ainda mesmo carinhosas e doces, não me envolvessem o nome lutador insignificante.

Descobrir caminhos foi a obsessão do meu pensamento. Reconheço hoje, porém, que outra deve ser a vocação da altura.

Dominar continentes e subjugar povos, através dos ares, será talvez, extensão do domínio da inteligência perversa que se distancia de Deus. Facilitar comunicações às criaturas que ainda não se entendem, possivelmente será acentuar os processos de ataque e morte, de surpresa, nas aventuras da guerra. Dolorosa é a situação do missionário da ciência que se vê confundido nos ideais superiores. Atormentada vive a cultura que não alcançou o cerne sublime da vida.

Terei errado, buscando rotas diferentes?

Certo, não.

O mundo e os homens aprenderão sempre.

A evolução é fatal.

Todavia, recolhido presentemente à humildade de mim mesmo, procuro caminhos mais altos e estradas desconhecidas, no aprendizado do roteiro para o Cristo, Senhor de nossas vidas.

Não há vôo mais divino que o da alma.

Não existe mundo mais nobre a conquistar, além do que se localiza na própria consciência, quando deliberamos converter-nos ao bem supremo.

Sejamos descobridores de nós mesmos.

Alcemos corações e pensamentos ao Cristo.

Aprimoremos-nos para refletir a vontade soberana e divina do Alto por onde passamos.

Crescimento sem Deus é curso preparatório da queda espetacular.

Humilharmos-nos para servir em nome de Dele é o caminho da verdadeira glória.

De qualquer modo, agradeço-vos.

O trabalhador que repara as possibilidades para ser mais útil jamais se esquecerá de endereçar reconhecimento às flores que lhe desabrocham na senda.

Crede! Não passo de servidor pequenino.

Anotações:

1 – Esta mensagem foi recebida na noite de 20 de julho de 1948, data aniversária de Santos-Dumont, no Grupo Espírita Luís Gonzaga, em Pedro Leopoldo, MG.

2 – Já tive ocasião de escrever (Trinta Anos com Chico Xavier, Clovis Tavares, Edição IDE, Araras, SP) que em julho de 1948, como sempre o fazia em época de férias escolares, pus-me a caminho de Pedro Leopoldo. Durante a viagem- resumo aqui- meu pensamento se fixou intensamente na personalidade de Santos-Dumont: sua vida, suas dedicações, sua morte dolorosa. Relembrava páginas de Gondim da Fonseca, depoimentos sobre seus trabalhos aeronáuticos, observações do seu “Dans I’Air”... Mentalmente recapitulava episódios da vida do Pai da Aviação: a infância extraordinária, o balãozinho Brasil, o 14-Bis... Cabangum, Saint-Cloud, Guarujá...E meditava, outrossim, na confortadora notícia que o Chico me dera, dois antes de que Santos-Dumont, desde 1936, era um dos mais devotados Amigos Espirituais de nossa Escola Jesus Cristo (fundada em 1935...).

Seis dias depois, na noite de 20 de julho (saíra de Campos no dia 14), numa reunião íntima com Chico, em recordando a data natalícia do genial brasileiro, pedi aos companheiros do pequenino grupo permissão para formular uma prece em memória do Benfeitor Espiritual.

O querido médium, havendo percebido a presença de Santos-Dumont em nosso círculo íntimo, transmite-me suas palavras de carinho e também uma notícia que me provocou profundo impacto emocional, pois guardara, natural e modestamente, completo silêncio sobre minhas cogitações durante a viagem Campos, RJ. Revela-me, então, o Chico que Santos-Dumont lhe estava dizendo que muito se sensibilizara com minhas lembranças de sua pessoa, durante a referida viagem e, comovido, me agradecia as recordações afetuosas, desejando escrever uma página destinada ao nosso pequeno grupo. E assim o fez. Esta, resumidamente, a história da mensagem portadora de tão elevados sentimentos e ensinos. (C.T.)
pelo Espírito Santos Dumont - Do livro: Tempo e Amor, Médium: Francisco Cândido Xavier e Clovis Tavares - Espíritos Diversos.

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sábado, 12 de novembro de 2011

COMEÇAR OUTRA VEZ


Alma querida, escuta!... Entre os lances do mundo,
Se escorregaste à beira do caminho
E caíste, talvez, em pleno desalinho,
Na sombra que te faz descrer ou desvairar,
Ante a dor que visita, a renovar-te anseios,
Não desprezes pensar! ... Levante-te e confia,
Porque a vida te pede, abrindo-te outro dia:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Ergue-te regressando à estrada justa,
Contempla a terra amiga em derredor,
Vê-la-ás, pormenor em pormenor,
Por mãe que sofra e sangra, a recriar ...
Medita na semente à sós, que o lavrador sepulta...
Quando alguém a supõe, humilhada e indefesa,
Ressurge em brilho verde, ouvindo a Natureza:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Fita o perfurador rasgando as entranhas da gleba;
O homem que o maneja, a golpes persistentes,
Pesquisa, sem cessar, todos os continentes,
Do deserto escaldante aos recessos do mar...
E eis que a lama oleosa, esquecida há milênios,
Trazida à flor do chão, é ouro e combustível,
Que o progresso conclama em ordem de alto nível:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Toda força lançada em desvalia
Quando erguida, de novo, em apoio de alguém,
Retoma posição no serviço do bem,
Utilidade viva a circular...
Olha a pedra moída, em função do cimento
E o barro que assegura a gestação do trigo,
Falando a todos nós, em tom seguro e amigo:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...

Assim também, alma fraterna e boa,
Se caíste em momentos infelizes,
Não te abatas, nem te marginalizes,
Levanta-te e retoma o teu próprio lugar!...
Aceita os grilhões das provas necessárias,
Esquece, age, abençoa, adianta-te e lida,
E escutarás a voz da Lei de Deus na vida:
- Começar outra vez, trabalhar, trabalhar!...



pelo Espírito Maria Dolores - Do livro: Vida em Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos.

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