Espiritismo

https://blogoliviaespirita.blogspot.com.br/2016/08/espiritismo-tem-dogmas-o-espiritismo.html



http://www.institutoandreluiz.org/espiritismo.html



O QUE É ESPIRITISMO?



É o conjunto de princípios e leis, revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec que constituem a Codificação Espírita:



O Livro dos Espíritos,

O Livro dos Médiuns,

O Evangelho segundo o Espiritismo,

O Céu e o Inferno e A Gênese.



“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”



Allan Kardec (O que é o Espiritismo – Preâmbulo)



“O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido:

conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança.”



Allan Kardec (O Evangelho segundo o Espiritismo

– cap. VI – 4).



O QUE REVELA:

Revela conceitos novos e mais aprofundados a respeito de Deus, do Universo, dos Homens, dos Espíritos e das Leis que regem a vida.
Revela, ainda, o que somos, de onde viemos, para onde vamos, qual o objetivo da nossa existência e qual a razão da dor e do sofrimento.




SUA ABRANGÊNCIA:
Trazendo conceitos novos sobre o homem e tudo o que o cerca, o Espiritismo toca em todas as áreas do conhecimento, das atividades e do comportamento humanos, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.
Pode e deve ser estudado, analisado e praticado em todos os aspectos fundamentais da vida, tais como: científico, filosófico, religioso, ético, moral, educacional, social.




SEUS ENSINOS FUNDAMENTAIS:
Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.




O Universo é criação de Deus. Abrange todos os seres racionais e irracionais, animados e inanimados, materiais e imateriais.



Além do mundo corporal, habitação dos Espíritos encarnados, que são os homens, existe o mundo espiritual, habitação dos Espíritos desencarnados.



No Universo há outros mundos habitados, com seres de diferentes graus de evolução: iguais, mais evoluídos e menos evoluídos que os homens.
Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o seu autor.




Abrangem tanto as leis físicas como as leis morais.
O homem é um Espírito encarnado em um corpo material.




O perispírito é o corpo semimaterial que une o Espírito ao corpo material.



Os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Constituem o mundo dos Espíritos, que preexiste e sobrevive a tudo.
Os Espíritos são criados simples e ignorantes. Evoluem, intelectual e moralmente, passando de uma ordem inferior para outra mais elevada, até a perfeição, onde gozam de inalterável felicidade.




Os Espíritos preservam sua individualidade, antes, durante e depois de cada encarnação.
Os Espíritos reencarnam tantas vezes quantas forem necessárias ao seu próprio aprimoramento.
Os Espíritos evoluem sempre. Em suas múltiplas existências corpóreas podem estacionar, mas nunca regridem. A rapidez do seu progresso intelectual e moral depende dos esforços que façam para chegar à perfeição.


Os Espíritos pertencem a diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado: Espíritos Puros, que atingiram a perfeição máxima;

Bons Espíritos, nos quais o desejo do bem é o que predomina;

Espíritos Imperfeitos, caracterizados pela ignorância, pelo desejo do mal e pelas paixões inferiores.
As relações dos Espíritos com os homens são constantes e sempre existiram.


Os bons Espíritos nos atraem para o bem, sustentam-nos nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação.

Os imperfeitos nos induzem ao erro.



Jesus é o guia e modelo para toda a Humanidade.



E a Doutrina que ensinou e exemplificou é a expressão mais pura da Lei de Deus.

A moral do Cristo, contida no Evangelho, é o roteiro para a evolução segura de todos os homens, e a sua prática é a solução para todos os problemas humanos e o objetivo a ser atingido pela Humanidade.

O homem tem o livre-arbítrio para agir, mas responde pelas conseqüências de suas ações.
A vida futura reserva aos homens penas e gozos compatíveis com o procedimento de respeito ou não à Lei de Deus.




A prece é um ato de adoração a Deus. Está na lei natural e é o resultado de um sentimento inato no homem, assim como é inata a idéia da existência do Criador.
A prece torna melhor o homem. Aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. é este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.




(Fonte: FEB e SobreSites)






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Kardec diz:


"Conhece-se o verdadeiro espíríta pela sua transformação moral e pelo esforço que emprega para domar suas más inclinações"


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"Para mim, as diferentes religiões são lindas flores, provenientes do mesmo jardim.

Ou são ramos da mesma árvore majestosa.
Portanto, são todas verdadeiras."

Mahatma Gandhi








quarta-feira, 11 de julho de 2012

Não temais pois não vos deixarei órfãos !! Homenagem a Francisco Cândido Xavier

Veja pesquisa popular realizada pela Rede Globo Minas, no dia 17 de novembro de 2000 e que veio confirmar a pesquisa nacional realizada pela revista Veja (10/01/96), na qual Chico Xavier ficou entre os 20 que mais alegrias dão aos brasileiros.
http://www.espiritismogi.com.br/chico.htm

Após tomar conhecimento pelo médico de que sua cegueira era irreversível, Camilo dispara um tiro de revólver no ouvido direito.


 Camilo Castelo Branco


A Doutrina Espírita presta-se aos mais variados enfoques de estudo, especialmente os que tangem às Ciências Humanas.
O momento do seu nascimento, o século XIX, é um campo fecundíssimo para tal: é a primeira vez em que o planeta, globalmente, se comunica, e que, graças a essa comunicação, todo o conhecimento humano é reavaliado, refundido e reestruturado.
Antigas ciências adquirem abordagens mais profundas e sistematizadas, novas ciências se lhes juntam. Por toda a parte se estuda, pesquisa, desenvolve, produz. Assim é com os trabalhos da antiga História, da nascente Psicologia, do prometido Consolador.
A obra do prof. Rivail reflete o melhor conhecimento seu século, quer na sistemática de trabalho quer, principalmente, no método de pesquisa a que recorre, na aliança da fé, da ciência e da filosofia, como Darwin, Freud e Marx o fizeram nas expressões isoladas em que se destacaram.
CAMILO, PELA HISTÓRIA
Camilo Castelo Branco é um dos maiores nomes da literatura portuguesa no século XIX. Senhor de notável erudição - referência obrigatória para o estudioso da língua -, polemista notável, sua obra abrange campos tão variados como o jornalismo, o romance, a crítica, a história e a poesia.
No plano pessoal, entretanto, toda a existência de Camilo afigura-se como um desenrolar de profundos dramas: um observador não-espírita indagaria o por quê de tanta dor... O próprio Camilo não o sabe, mas se questiona, sonha, vive e trabalha, amadurecendo o fruto dessa dor em uma vasta obra.
Cínico às vezes, outras variando da absoluta incredulidade até à credulidade mais pueril, seus temas são os da busca do amor, da felicidade, ou a demonstração da sua impossibilidade. De seus escritos provêm a sua subsistência e de seus familiares, e as dificuldades forçam-no a escrever, escrever sempre mais...
Para os espíritas, o caso de Camilo suicida é mais eloqüente do que qualquer dissertação teórica, referência obrigatória para o estudo do tema, através da mediunidade de Yvone Pereira. Entretanto, ao iniciar este trabalho, espírita, historiador e admirador da prosa camiliana, a premissa era mais ambiciosa, mais vivaz:
  1. ordenar os fatos conhecidos da biografia "post-mortem" de Camilo, se possível confrontando-os com fatos conhecidos de sua vida no século XIX;
  2. comparar os diferentes episódios dessa "biografia", apresentados por fontes mediúnicas independentes, distantes entre si quer no tempo, quer no espaço;
  3. registrar coincidências ou discrepâncias significativas entre as fontes estudadas;
  4. identificar possíveis pontos de contato entre as fontes em Portugal e no Brasil, bem como as características particulares dos respectivos trabalhos;
  5. reconhecer o papel da FEB - Federação Espírita Brasileira, na preservação e unificação das obras, bem como os mecanismos legais para fazê-lo.
Por trabalharmos com um personagem conhecido e relativamente recente em termos históricos, é fácil verificarmos os fatos da cronologia de sua vida terrena: a bibliografia camiliana é imensa, tanto em Portugal quanto no Brasil.
Ao mesmo tempo, pela permissão do Alto, as informações que se filtram em suas obras psicografadas, permitem uma reconstrução bastante precisa de sua existência no Além.
Nessa espécie de quebra-cabeças de eventos, médiuns e obras, ao estudioso cabe o ajuste e a montagem das peças que estão separadas por fontes distintas entre si, no espaço e no tempo, recompensado pela beleza do mosaico que desvenda ante si.
Para uma referência mais ágil às principais obras a que recorremos, utilizaremos as seguintes siglas: Memórias de um Suicida (MS), Nas Telas do Infinito (TI), e Do País da Luz , vols. I a IV (PL I a IV). Ao final do trabalho, um comentário bibliográfico referindo as edições consultadas, bem como as notas pertinentes.
O médium Fernando de Lacerda
CAMILO, POR CAMILO
21/mai/1890 - Após tomar conhecimento pelo médico de que sua cegueira era irreversível, Camilo dispara um tiro de revólver no ouvido direito. São 15:15h na sua quinta de São Miguel de Seide (N de Portugal): às 17:00h Camilo desencarna1.
jan/1891 - Após meses vagueando sem destino em torno dos próprios restos mortais, Camilo é detido no Vale dos Suicidas (MS pg. 15), abrigo de réprobos oriundos de Portugal e suas colônias africanas, Espanha, e Brasil (MS pg. 18). É a data com que se inicia o Memórias de um Suicida.
20/set/1895 - Desenlace de Ana Plácido, segunda esposa de Camilo, a quem dá três filhos. Apesar de amá-la extremosamente em vida, inclusive se envolvendo em rumoroso processo que culmina em sua prisão na Cadeia da Relação no Porto (casada, Ana Plácido foge do marido para viver com Camilo), na biografia "post-mortem" do escritor não há nenhuma referência direta a esta com quem passou a maior e mais fecunda parte de sua vida literária.
nov/1903 - Camilo se encontra há pouco tempo no Hospital Maria de Nazaré, da Legião dos Servos de Maria. A data é do episódio da visita de Jerônimo a Portugal (MS pg. 102). O ano de 1903 parece ser confirmado à pg. 193 (MS): "dentre tantos que convosco ingressaram há três anos, (...)", com relação a acontecimentos descritos como tendo ocorrido em 1906.
1904 - Data provável da 1a. caravana com Camilo à crosta terrestre (vide 1906): trabalhos de conscientização de suicidas no interior do Brasil (MS pg. 149 - a referência é feita ao primeiro decênio deste século).
1906 - cerca de dois anos após a primeira caravana (MS pg. 175), o médium português Fernando de Lacerda, por iniciativa própria, já havia entrado em contato com Camilo.
As primeiras comunicações deste pelo médium, registram-se em 1906 (1906-02=1904, data provável da caravana acima), quando Camilo começa a ditar as cartas que originam a obra Do País da Luz (MS pg. 176)2. É um ano de franca atividade para o escritor e seus companheiros de enfermaria: voltam à crosta terrestre - a Portugal - em uma segunda caravana com o fim de obter alta do Hospital Maria de Nazaré (MS pg. 373), e prosseguem as comunicações de Do País da Luz, que acendem viva polêmica (MS pg. 377 e segs.).
Sem sucesso em Portugal 3, Camilo e seus companheiros transferem-se para o Brasil (MS pg. 385) em busca de campo mais fecundo de trabalho, sem abandonar as comunicações de Do País da Luz (MS pg. 386). Nas próprias palavras de Camilo: "voltamos à Terra muitas vezes, permanecendo em suas sociedades, com pequenos intervalos desde os primórdios de 1906." (MS pg. 481).
28/out/1906 - 1a. carta de Camilo por intermédio de Fernando de Lacerda a Silva Pinto, conhecido de Camilo (PL I pg. 66).
18/nov/1906 - 2a. carta a Silva Pinto, pelo mesmo médium (PL I pg. 85).
20/nov/1906 - 3a. comunicação de Camilo (PL I pg. 95)
20/nov/1906 - 4a. comunicação de Camilo (PL I pg. 99).
20/abr/1906 - 5a. comunicação - Carta a Silva Pinto (PL I pg. 109).
05/dez/1906 - 6a. comunicação, acerca de Silva Pinto (PL I pg. 143).
15/jan/1908 - prólogo de Souza Couto ao Vol. I de Do País da Luz (pg. 11)4.
29/abr/1908 - dedicatória de Fernando de Lacerda ao Vol. II de Do País da Luz (pg. 7).
06/mai/1908 - prólogo de Souza Couto ao Vol. II de Do País da Luz (pg. 11).
26/mai/1908 - prefácio de Fernando de Lacerda ao Vol. II de Do País da Luz5 (pg. 23).
1910 - após dez anos de internação (MS pg. 448) Camilo recebe alta da instituição hospitalar, ingressando na Universidade da mesma instituição. Nos primeiros tempos da Universidade, reencontra sua mãe, seu pai, e sua esposa falecida. Ele se refere a esse enlace como "matrimônio venturoso" (MS pg. 487), pelo que presumimos se trate de Ana Plácido, uma vez que a primeira esposa de Camilo, Maria do Adro, morreu de tuberculose, com pouco tempo de casados.
01/abr/1911 - carta de Silva Pinto na abertura do Vol. III de Do País da Luz (PL III pg. 11).
mai/1911 - prólogo de Fernando de Lacerda à 2a. edição do vol. I de Do País da Luz (pg. 53). A 1a. edição havia-se esgotado em poucos meses (1908?). A 1a. edição do Vol. II já havia sido lançada em 1908. Esta 2a. edição do Vol. I sai com a reedição do Vol. II, e com a 1a. edição do Vol. III (PL I pg. 54), que também é de 1911.
jun/1911 - prólogo de Fernando de Lacerda ao Vol. III de Do País da Luz6 (pg. 13).
25/jul/1911 - Fernando de Lacerda chega ao Rio de Janeiro, no Brasil7.
nov/1911 - desencarnação de Silva Pinto (PL IV pg. 37).
1912 - por volta desta data (MS pg. 486), dois anos após o reencontro com seus familiares, Camilo toma contato com as suas vivências passadas para fins didáticos (MS pg. 490, 493, 499).
07/ago/1918 - desencarnação, no Brasil, de Fernando de Lacerda.
1919 - copyright da FEB de Do País da Luz.
1919 - data provável do lançamento do Vol. IV de Do País da Luz8.
1926 - Camilo se comunica no Brasil, em Lavras/MG, pela jovem médium Yvone A. Pereira, que trabalha com atendimento a suicidas. É o inicio de um trabalho que será compilado 20 anos mais tarde: o Memórias de um Suicida (MS pg. 7)9.
1930 - graduado na Universidade da instituição dos Servos de Maria, Camilo passa a servir na enfermaria do Hospital, em lugar de Joel, seu antigo enfermeiro, que reencarnara (MS pg. 546).
mai/1930 - Yvone A. Pereira inicia a novela O Tesouro do Castelo (TI pg. 61), narrativa assinada por Camilo (TI pg. 66).
1936 - Camilo está escrevendo após cerca de 30 anos, referindo-se a acontecimentos ocorridos cerca de três anos após seu ingresso na instituição-hospital (MS pg. 346). Cruzando essa informação com a datação de 1903 como seu ingresso no Hospital, temos o ano de 1936 como data aproximada de inicio da criação de Memórias de um Suicida10.
1942 - "faz precisamente cinqüenta e dois anos que habito o mundo astral" (MS pg. 544): assim Camilo inicia o final de suas memórias...
1945 - data provável da reencarnação de Camilo. Segundo a diretriz-base traçada para essa nova existência, trabalharia como médium curador (MS pg. 546), devendo cegar aos 40 anos de idade (MS pg. 565) e desencarnar aos 60 anos (MS pg. 566).
1946 - Yvone A. Pereira reinicia os trabalhos de psicografia do Memórias de um Suicida . Na introdução da obra, ela nos informa que teve que esperar oito anos para prosseguir essa tarefa (MS pg. 10), já que impedida temporariamente, ao fim desse impedimento, Camilo só a procurou para lhe participar a sua (dele) próxima reencarnação (data do Copyright da FEB e do prefacio da 1a. edição = 1954 - 1 ano despendido no prefácio cf. pg. 10 = 1953 - 08 = 1945 data provável da reencarnação de Camilo).
18/mai/1954 - introdução de Yvone A. Pereira no Memórias de um Suicida (pg. 12).
1954 - copyright da FEB da obra Memórias de um Suicida11.
1955 - copyright da FEB de Nas Telas do Infinito.
1956 - 1a. edição do Memórias de um Suicida.
04/mai/1957 - prefácio da 2a. edição revisada, do Memórias de um Suicida (MS pg. 14).
1985 - aos 40 anos Camilo reencarnado, conforme a diretriz-base, deveria novamente arcar com a provação da cegueira (MS pg. 565).
2006/2007 - aos 60 anos, Camilo reencarnado, por aquela diretriz, deverá desencarnar (MS. pg. 566).
CONCLUSÃO
Como afirmamos, do casamento de nossos interesses no espiritismo, na história e na literatura, surgiu o esboço do presente trabalho.
Mais do que descrever a rotina de um espírito após a desencarnação (e a imensa popularidade das obras de André Luiz é mais do que eloqüente para demonstrar o interesse que esse assunto desperta), a análise global da passagem de Camilo pelas lides do movimento espírita, serve de subsídio a estudos maiores a todos os que trabalham não só com o tema suicídio, mas também reencarnação, fisiologia da alma, vivências passadas com fins terapêuticos e outros, temas em grande parte, ainda carentes de estudos mais profundos. Nesse sentido, este trabalho não é o fim, mas apenas um modesto começo, e esperamos que ele tenha transmitido tanto prazer quanto a sua pesquisa proporcionou.
Registramos por último, nossos agradecimentos ao GEAE (http://www.geae.inf.br) pelo apoio em Portugal à pesquisa bibliográfica, e ao Alto pela constante inspiração, graças às quais este estudo chegou à sua forma presente, momento em que o repartimos com os leitores.
O QUE HÁ PARA SE LER
PEREIRA, Yvone A.. Memórias de um Suicida (5a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1975.
Obra mediúnica, atribuída por Yvone Pereira a Camilo Cândido Botelho, talvez ainda pensando nas implicações jurídicas que o caso Humberto de Campos/Irmão X causou à época com o médium Francisco Cândido Xavier.
Junto com o O Martírio dos Suicidas de Almerindo Martins de Castro (FEB, 1940), é obra básica para o estudioso do tema Suicídio. A autoria de Camilo Castelo Branco, entretanto, é clara para quem conhece a vasta obra em vida desse autor, quer pelo estilo, quer pelos fatos narrados, e mesmo pelos nomes componentes do pseudônimo que ocultam o real autor. É a primeira obra de Yvone Pereira publicada pela FEB (1954).
PEREIRA, Yvone A.. Nas Telas do Infinito (5a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1978.
Também mediúnica, a obra enfeixa dois contos: o primeiro de Adolfo Bezerra de Menezes, e o segundo de Camilo, nesta edição consultada, já atribuído ao próprio autor. A obra é publicada no ano seguinte ao Memórias de um Suicida, em 1955.
LACERDA, Fernando de. Do País da Luz (4 vols.: vol. I - 6a. ed.; vol. II - 5a. ed.; vol. III - 4a. ed.; vol. IV - 3a. ed.). Rio de Janeiro: FEB, 1984.
Coletânea psicografada pelo médium português Fernando de Lacerda entre 1906 e 1918. Abrange mensagens entre outros, dos maiores vultos da literatura portuguesa do século XIX. A acirrada polêmica que causou à época, muito contribuiu para a divulgação do Espiritismo em Portugal, que vivia as agitações que precederam a proclamação do regime republicano naquele país (1910) e que viriam a sacrificar o próprio médium, que se auto-exila no Brasil por recomendação dos próprios espíritos.
A FEB adquire os direitos da obra em 1919, e é no Brasil que ela sobrevive durante as décadas de regime salazarista em Portugal, quando manifestações de cunho religioso diversas da religião oficial do Estado - Católica - eram violentamente reprimidas. Obra relativamente pouco conhecida na atualidade (a edição consultada, de 1978, é apenas a 6a. do vol. I e a 3a. do vol. IV), é uma fonte interessantíssima para o historiador do Espiritismo, ou mesmo o amante da literatura. Se isso não bastasse, a obra contém entre outras, mensagens de Kardec (Vol. II pg. 176), Napoleão (Vol. I pg. 80), D. Pedro II do Brasil (Vol. IV pg. 263) e outros, particularmente interessantes por sua atualidade.
SOARES, Sylvio Brito. Grandes Vultos da Humanidade e do Espiritismo (2a. ed.). Rio de Janeiro, FEB, 1975.
Originalmente publicada em 1961, no ano seguinte seguia-se-lhe uma biografia de Bezerra de Menezes. Bastante proselitista, a obra é interessante como uma tentativa de comprovar que alguns dos grandes vultos da humanidade possuíam faculdades mediúnicas inconscientes, graças às quais teriam se projetado nos mundos literário, musical e cientifico. Inclui um perfil de Camilo, tornado vulto da Humanidade e do Espiritismo pelo autor e (principalmente) pela mediunidade de Yvone Pereira.
NOTAS
  1. Para um depoimento pessoal de Camilo, vide MS pg. 33;
  2. Para uma identificação mais precisa de Fernando de Lacerda (Fernando Augusto de Lacerda e Mello - *06/ago/1865 +07/ago/1918) vide MS pg. 303: caso de Albino, filho do suicida Jerônimo - alusão à rainha portuguesa Dna. Amélia (Dna. Amélia de Orleans e Bragança, esposa de D. Carlos I, assassinado a tiros em 01/fev/1908). Vide ainda as referências de Souza Couto no prólogo do Vol. I de Do País da Luz (pg. 16), a excelente nota biográfica O Médium Fernando de Lacerda na revista Reformador de ago/1988 (pgs. 247-249) e a bonita mensagem Reminiscências psicografada pelo médium brasileiro Divaldo P. Franco a 21/set/1980 em Lisboa, Portugal, publicada pela revista Reformador de jul/1981 (pg. 200).
  3. Acerca das dificuldades que Camilo encontrou nas suas tentativas de comunicação mediúnica, vide ainda o depoimento de Yvone Pereira em Devassando o Invisível, FEB, Rio de Janeiro, 1963, pgs. 63-64.
  4. São deste prólogo as referências à revista portuguesa Estudos Psiquicos, editada por Souza Couto, em ano que não nos foi possível localizar.
  5. O Vol. II de Do País da Luz contém três mensagens de Camilo, das quais Fernando de Lacerda omite a data: pgs. 85, 91 e 222 (Camilo a Silva Pinto). Pelo teor são posteriores às do Vol. I.
  6. No Vol. III de Do País da Luz há apenas uma mensagem de Camilo (pg. 162). Nela se faz referência às experiências do Vale dos Suicidas, descritas no MS, e à invocação inicial de Camilo feita por Fernando de Lacerda, quando Camilo se encontrava ainda internado.
  7. Esta é uma das informações mais interessantes do trabalho, uma surpresa para nós que a desconhecíamos: Perseguido pela imprensa republicana em Portugal devido ao seu trabalho mediúnico, Fernando de Lacerda perde sua função pública em Portugal, e permacerá no Brasil até ao fim de seus dias. Vide a revista Reformador, ago/1988, pgs. 247-249.
  8. O Vol. IV de Do País da Luz é póstumo a Fernando de Lacerda, e não pudemos identificar se a primeira edição deste volume foi feita em Portugal como aparentam os anteriores da série, ou no Brasil, já pela FEB - a segunda hipótese é mais provável. O prefácio de autoria do próprio Fernando de Lacerda, é mediúnico, e a seu pedido, todas as datas são removidas, um dos motivos pelos quais não há ordem cronológica nas mensagens. A julgar pela de abertura, pela de Eça de Queiroz (PL IV pg. 13), e pela de D. Pedro II do Brasil (PL IV pg. 263), parte das comunicações são recebidas entre 1911 e 1918 já no Brasil, o que é corroborado pela data da desencarnação de Silva Pinto (nov/1911 cf. PL IV pg. 37) autor de algumas mensagens, e pela única comunicação de Camilo nesse volume, justamente a respeito desse desenlace (PL IV pg. 218).
  9. O ano de 1926 é confirmado pela própria médium. Vide os Dados biográficos de Yvone A Pereira para a Federação Espírita Brasileira (Final) (pg. 61) na revista Reformador de fev/82.
  10. Há um conflito aparente nas datas, já que por essa indicação o início da criação do MS seria 1936. Entretanto, pelo depoimento de Yvone Pereira, ela é recebida em fragmentos, finalmente compilados a partir de 1946, provavelmente pelo espirito de Leon Denis, autor do prefácio à segunda edição.
  11. Para uma correta noção dos fatos que envolveram a publicação das primeiras obras pela psicografia de Yvone A Pereira, vide as próprias notas biográficas da médium na revista Reformador dos meses de jan e fev/1982.

Certo dia, um menino de 10 anos bateu com uma colher num prato e escutou atentamente o som, que continuou a vibrar por algum tempo, parando, no entanto, quando o pequeno pôs a mão sobre o prato.

Do site: http://www.espiritismogi.com.br/biografias/blaise_pascal.htm

Blaise Pascal
Certo dia, um menino de 10 anos bateu com uma colher num prato e escutou atentamente o som, que continuou a vibrar por algum tempo, parando, no entanto, quando o pequeno pôs a mão sobre o prato.
Com certeza, em muitos lugares do mundo, outros tantos garotos terão feito o mesmo e observado o fenômeno.
Mas, só um gênio como Blaise Pascal resolveu investigar o mistério e escreveu um tratado sobre o som: "Traité des sons".
Nascido aos 19 de junho de 1623, em Clermont Ferrand (Auvergne), cedo demonstrou a sua genialidade.
Certo dia, o pai o encontrou a riscar, com um pedaço de giz, "rodas e barras" no soalho do seu quarto.
Rodas e barras eram na verdade os círculos e as linhas retas da Geometria, traduzidos na linguagem infantil.
Logo mais provaria que a soma dos ângulos de um triângulo perfaz dois retos, resolvendo num passatempo, o 32º teorema de Euclides, cujo nome ignorava.
Na adolescência, aos 16 anos, escreveu um Tratado sobre as secções dos cones "Traité des sections coniques", um problema de alta Geometria, que assombrou o mundo profissional da época.
O próprio Descartes, ao lê-lo, se recusou a acreditar tivesse sido escrito por um jovem dessa idade. Dois anos mais tarde, construiu o jovem matemático uma máquina de contar, com o principal objetivo de aliviar seu pai dos complicados cálculos que necessitava fazer na sua lida com as finanças do Município.
Numa época em que não estavam aperfeiçoadas as tábuas logarítmicas, este engenho prestou grandes serviços aos que se ocupavam com a aritmética e mereceu numerosas reproduções.
Oportunamente, Pascal presenteou com uma dessas máquinas ao célebre Condé e a Rainha Cristina da Suécia, quando ela esteve na França.
Mais tarde, entre seus 23 e 25 anos, interessou-se pelos estudos da Física, escrevendo sobre o "espaço vazio": "Nouvelles experiences touchant le vide".
Foi também nesta época que o pai de Blaise sofreu um acidente e, por permanecer longo período na cama, teve a lhe servir de enfermeiros dois fervorosos discípulos de Cornélio Jansênio que, ao se despedirem, deixando Etienne Pascal curado, deixaram toda a família Pascal profundamente impressionada com o ideal religioso.
Em outubro de 1654, estando Blaise Pascal a passear de carruagem por uma ponte, assustaram-se os cavalos, tendo dois deles se precipitado da ponte, após rompidos os arreios.
Os outros, com a carruagem ficaram suspensos sobre o abismo, salvando a vida do cientista.
Dizem alguns de seus biógrafos que este fato lhe teria produzido um violento abalo, fazendo-o se dedicar às questões religiosas.
Contudo, depois de sua morte foi encontrado, cosido no forro de sua vestimenta, um bilhete datado de 23 a 24 de novembro de 1654, em que ele relata uma espécie de êxtase que teria experimentado, e demonstra um desejo ardente de se consagrar às coisas espirituais.
Escrevendo suas "Cartas Provinciais", Pascal apresenta a verdadeira Igreja do Cristo não circunscrita a uma determinada organização eclesiástica, menos ainda a determinados homens de um certo período, representando casualmente a Igreja, mesmo porque, falíveis os homens, insegura seria a fé. Em 1657, suas "Cartas", dezoito ao todo, foram relacionadas no Index, da Igreja.
São consideradas um dos maiores monumentos da literatura francesa e o atestado de uma grande sinceridade cristã.
A respeito, pronunciou-se Pascal: "Roma condenou as minhas Cartas; mas o que nelas condenei está condenado no céu _ apelo para o teu tribunal, Senhor Jesus!"
Relata que pediu a Deus 10 anos de saúde para poder escrever sua apologia do Cristianismo, que o mundo viria a conhecer com o nome de "Pensées", contudo, confessa, Deus lhe deu quatro anos de enfermidade.
Nessa Apologia, ele apresenta Cristo não como o "Senhor morto" de tantos cristãos, mas o Cristo vivo, sempre-vivo, aquele Cristo que segue com os homens, todos os dias.
Amar era para ele a melhor forma de crer, a "razão do coração que a razão ignora".
Deus é, antes de tudo o Sumo Bem, o alvo do amor, e ele afirmava não poder crer senão num Deus que pudesse amar sinceramente.
A mensagem para a humanidade de sua época, para os melhores homens do século, foi uma mensagem de vasta, profunda e panorâmica espiritualidade cristã.
Uma espiritualidade que brilha em todas as páginas do Evangelho, a espiritualidade do Cristo.
Tal espiritualidade transcende das suas mensagens, inseridas pelo Codificador em O Evangelho Segundo o Espiritismo: a primeira, datada de 1860, recebida em Genebra, que alude à verdadeira propriedade e a segunda, do ano 1862, de Sens, da qual destacamos especialmente: "(...) Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade;(...) " e , logo adiante, "(...) esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu reino, o joio do trigo.
"Não menos oportunas as observações em sua mensagem "Sobre os médiuns" (O livro dos médiuns, cap. XXXI, item XIII) de excelente atualidade para os dias que estamos vivendo, onde a mediunidde tem sido levada, muita vez, à conta de exclusiva projeção pessoal e destaque social: "Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo proveitosa a luz que ilumina, será menos escusável do que outro qualquer e terá que expiar a sua cegueira."
Sua morte se deu a 19 de agosto de 1662, aos 39 anos, em Paris, sendo que os dois últimos anos de sua vida foram de intenso sofrimento.
A enfermidade que o tomou lhe furtou qualquer possibilidade de esforços físicos e intelectuais.
Fonte: ROHDEN, Huberto. Pascal,São Paulo, 1956.
Enciclopédia Mirador Internacional, vol 16, verbete : Pascal.
KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo, Rio de Janeiro, 1987.

Benvindo da Costa Melo-nasceu a 31 de julho de 1927


 
Benvindo da Costa Melo

Na madrugada do dia 12 de março de 2001, desencarnou, em Fortaleza, o confrade e amigo Benvindo Melo.
Natural de Guanambi, Bahia, nasceu a 31 de julho de 1927, sendo seus pais João do Carmo Melo e Belarmina Costa Melo.
Casou-se com Maria Conceição Ferraz Melo, nascendo da união os filhos Luis Olímpio, Adonai, Rosa Virgínia, Valéria e Adolfo.
Era bacharel em Direito e Auditor Fiscal da Receita Federal aposentado.
Sua iniciação no Espiritismo ocorreu em 1953 na Bahia.
Em entrevista informou: “na cidade de Feira de Santana, no Grupo Espírita Emmanuel, onde fui convidado a entrar, houve uma comunicação mediúnica por meu intermédio.
Desde então, dediquei-me ao estudo da Doutrina Espírita e à militância dentro do Movimento Espírita”.
Benvindo idealizou e fundou, em 1973, o Clube do Livro Espírita de Fortaleza (CLEF), que deu outra feição ao desenvolvimento do espiritismo em Fortaleza, pois tomou-se o principal centro de distribuição do livro espírita da cidade e em todo o Estado, repercutindo, inclusive, fora do Ceará.
A partir da criação do CLEF, Benvindo intensificou seu ritmo de trabalho.
Ao lado de Ary Bezerra Leite fundou, em 1974, a Comunhão Espírita Cearense, resultado da fusão do Centro Espírita Meimei e do Centro Espírita Cearense.
Foi um dos mais apreciados expositores do célebre curso básico de Espiritismo.
Fundou, em 1976, a Mocidade Espírita Joanna de Ângelis.
Em 1990, com a fundação da Federação Espírita do Estado do Ceará, foi eleito seu presidente.
Em novembro de 1996, por sua iniciativa, a Comunhão Espírita Cearense deixou de existir, cedendo seu espaço físico, na Rua Princesa Isabel, 255, para a sede definitiva da Federação.
Sob o patrocínio do CLEF, publicou, de 1976 a 1983, a coluna semanal Fortaleza Espírita, no jornal Tribuna do Ceará, que recebeu a colaboração de alguns articulistas.
Em 1988, a referida coluna foi transformada em órgão de circulação mensal do CLEF.
Com a fundação da FEEC, o periódico circulou, a partir de 1992, com a denominação de Ceará Espírita, hoje órgão informativo da Federação.
Idealizou o Museu e o Pólo de Divulgação Espírita Bezerra de Menezes, no exato local onde nasceu o Médico dos Pobres, na cidade de Jaguaretama.
Benvindo entra para a História do Espiritismo no Ceará como um de seus mais admiráveis personagens.
(Síntese da biografia elaborada por Luciano Klein Filho, Gazeta Espírita, Fortaleza, CE, 03/04/2001).
Fonte: Anuário Espírita - 2002 - IDE

Adolfo Bezerra de Menezes nasceu na antiga Freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaretama), no Estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831, desencarnando no Rio da Janeiro, no dia 11 de abril de 1900.


Biografia de Bezerra de Menezes





Adolfo Bezerra de Menezes nasceu na antiga Freguesia do Riacho do Sangue (hoje Jaguaretama), no Estado do Ceará, no dia 29 de agosto de 1831, desencarnando no Rio da Janeiro, no dia 11 de abril de 1900.

No ano de 1838 entrou para a escola pública da Vila do Frade, onde, em dez meses apenas, preparou-se, suficientemente, até onde dava os conhecimentos do professor que dirigia a primeira fase de sua educação. Muito cedo revelou a sua fulgurante inteligência, pois aos 11 anos de idade iniciava o curso de Humanidades e, aos 13 anos, conhecia tão bem o latim que ele próprio o ministrava aos seus companheiros, substituindo o professor da classe em seus impedimentos.

Seu pai, o capitão das antigas milícias e tenente- coronel da Guarda Nacional, Antônio Bezerra de Menezes, homem severo, de honestidade a toda prova e de ilibado caráter, tinha bens de fortuna em fazendas de criação. Com a política, e por efeito do seu bom coração, que o levou a dar abonos de favor a parentes e amigos, que o procuravam para explorar- lhe os sentimentos de caridade, comprometeu aquela fortuna. Percebendo, porém, que seus débitos igualavam seus haveres, procurou os credores e lhes propôs entregar tudo o que possuía, o que era suficiente para integralizar a dívida. Os credores, todos seus amigos, recusaram a proposta, dizendo- lhe que pagasse como e quando quisesse.

O velho honrado insistiu; porém, não conseguiu demover os credores sobre essa resolução, por isso deliberou tornar- se mero administrador do que fora sua fortuna, não retirando dela senão o que fosse estritamente necessário para a manutenção da sua família, que assim passou da abastança às privações.

Animado do firme propósito de orientar- se pelo caráter íntegro de seu pai, Bezerra de Menezes, com minguada quantia que seus parentes lhe deram, e animado do propósito de sobrepujar todos os óbices, partiu para o Rio de Janeiro a fim de seguir a carreira que sua vocação lhe inspirava: a Medicina.

Em novembro de 1852, ingressou como praticante interno no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Doutorou- se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese "Diagnóstico do Cancro". Nessa altura abandonou o último patronímico, passando a assinar apenas Adolfo Bezerra de Menezes. A 27 de abril de 1857, candidatou-se ao quadro de membros titulares da Academia Imperial de Medicina, com a memória "Algumas Considerações sobre o Cancro encarado pelo lado do Tratamento". O parecer foi lido pelo relator designado, Acadêmico José Pereira Rego, a 11 de maio de 1857, tendo a eleição se efetuado a 18 de maio do mesmo ano e a posse a 1.o. de junho. Em 1858 candidatou- se a uma vaga de lente substituto da Secção de Cirurgia da Faculdade de Medicina. Por intercessão do mestre Manoel Feliciano Pereira de Carvalho, então Cirurgião- Mor do Exército, Bezerra de Menezes foi nomeado seu assistente, no posto de Cirurgião- Tenente.

Eleito vereador municipal pelo Partido Liberal, em 1861, teve sua eleição impugnada pelo chefe conservador Haddock Lobo, sob a alegação de ser medico militar. Com o objetivo de servir o seu partido, que necessitava dele para ter maioria na Câmara, resolveu afastar-se do Exército. Em 1867, foi eleito Deputado Geral, tendo ainda figurado numa lista tríplice para uma carreira no Senado.

Quando político, levantaram-se contra ele, a exemplo do que sucede com todos os políticos honestos, rudes campanhas de injuria, cobrindo seu nome de impropérios entretanto, a prova da pureza de sua alma, deu-a, quando deliberou abandonar a vida publica e dedicar-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía. Corria sempre ao casebre do pobre onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de médico e o auxilio da sua bolsa minguada e generosa.

Afastado interinamente da atividade política, dedicou-se a empreendimentos empresariais criou a Companhia Estrada de Ferro Macaé/Campos, na então província do Rio de Janeiro. Posteriormente, empenhou-se na construção da via férrea de Santo Antônio de Pádua, pretendendo levá-la ate o Rio Doce, desejo que não conseguiu realizar. Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica que, em 1872 abriu o Boulevard 28 de Setembro , no então bairro de Vila Isabel. Em 1875, foi presidente da Companhia Carril de São Cristóvão. Voltando a política, foi eleito vereador em 1876, exercendo o mandato ate 1880. Foi ainda presidente da Câmara e Deputado Geral pela Província do Rio de Janeiro, no ano de 1880.

O Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradução das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a versão portuguesa de "O Livro dos Espíritos". Logo que esse livro saiu do prelo levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando- o com dedicatória. O episódio foi descrito do seguinte modo pelo futuro Médico dos Pobres: "Deu- mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é ridículo confessar- me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi- me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no "O Livro dos Espíritos". Preocupei- me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença".

Demonstrada a sua capacidade literária no terreno filosófico, que pelas replicas, quer pelos estudos doutrinários, a Comissão de Propaganda da União Espirita do Brasil incumbiu Bezerra de Menezes de escrever, aos domingos, no O Paiz , tradicional órgão da imprensa brasileira, dirigido por Quintino Bocaiúva, uma serie de artigos sob o titulo O Espiritismo - Estudos Filosóficos . Os artigos de Max , pseudônimo de Bezerra de Menezes, marcaram a época de ouro da propaganda espirita no Brasil. Esses artigos foram publicados, ininterruptamente, de 1886 a 1893.

Da bibliografia de Bezerra de Menezes, antes e após a sua conversão do Espiritismo, constam os seguintes trabalhos: "A Escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação", "Breves considerações sobre as secas do Norte", "A Casa Assombrada", "A Loucura sob Novo Prisma", "A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica", "Casamento e Mortalha", "Pérola Negra", "Lázaro -- o Leproso", "História de um Sonho", "Evangelho do Futuro". Escreveu ainda várias biografias de homens célebres, como o Visconde do Uruguai, o Visconde de Carvalas, etc. Foi um dos redatores de "A Reforma", órgão liberal da Corte, e redator do jornal "Sentinela da Liberdade".

No dia 16 de agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Avenida 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, do eminente católico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo.

Bezerra de Menezes tinha o encargo de medico como verdadeiro sacerdócio por isso, dizia: Um medico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se e´ longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate a porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem chora a porta que procure outro, esse não e´ medico, e´ negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse e´ um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única esportula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espirito, a única que jamais se perdera nos vais-e-vens da vida.

No ano de 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo no Brasil, e os que dirigiam os núcleos espiritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma união mais estreita e indestrutível.

Os Centros Espiritas, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma autônoma. Cada um deles exercia sua atividade em um determinado setor, despreocupado em conhecer as atividades dos demais. Esse estado de coisas levou-os a fundação da Federação Espirita Brasileira (FEB).

Nessa época, já existiam muitas sociedades espiritas, porem as únicas que mantinham a hegemonia eram quatro: a Acadêmica, a Fraternidade, a União Espirita do Brasil e a Federação Espirita Brasileira. Entretanto, logo surgiram entre elas rivalidades e discórdias. Sob os auspícios de Bezerra de Menezes, e acatando importantes instruções, dadas por Allan Kardec, através do médium Frederico Júnior, foi fundado o famoso Centro Espirita porem nem por isso deixava Bezerra de dar a sua cooperação a todas as outras instituições.

O entusiasmo dos espíritas logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o único freqüentador do Centro. A cisão era profunda entre os chamados "místicos" e "científicos", ou seja, espíritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado científico e filosófico.

Em 1893, a convulsão provocada no Brasil pela Revolta da Armada, ocasionou o fechamento de todas as sociedades espíritas ou não. No Natal do mesmo ano Bezerra encerrou a série de "Estudos Filosóficos" que vinha publicando no "O Paiz".

Em 1894, o ambiente demonstrou tendências de melhora e o nome de Bezerra foi lembrado como o único capaz de unificar a família espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da Federação Espirita Brasileira.

Iniciava- se o ano de 1900, e Bezerra de Menezes foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que o prostrou no leito, de onde não mais se levantaria.

Verdadeira romaria de visitantes acorria à sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada possuía.

Ninguém desconhecia a luta tremenda em que se debatia a família do grande apóstolo do Espiritismo. Todos conheciam suas dificuldades financeiras, mas ninguém teria a coragem de oferecer fosse o que fosse, de forma direta. Por isso, os visitantes depositavam suas espórtulas, delicadamente, debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, a pessoa que lhe foi mudar as fronhas, surpreendeu- se por ver ali desde o tostão do pobre até a nota de duzentos mil reis do abastado!...

Desencarnou em 11 de abril de 1900. Ocorrida a sua desencarnação, verdadeira peregrinação demandou sua residência a fim de prestar- lhe a última visita.

No dia 17 de abril, promovido por Leopoldo Cirne, reuniram- se alguns amigos de Bezerra, a fim de chegarem a um acordo sobre a melhor maneira de amparar a sua família, tendo então sido formada uma comissão que funcionou sob a presidência de Quintino Bocaiúva, senador da República, para se promover espetáculos e concertos, em benefício da família daquele que mereceu o cognome de "Kardec Brasileiro".

Digno de registro foi um caso sucedido com o Dr. Bezerra de Menezes, quando ainda era estudante de Medicina. Ele estava em sérias dificuldades financeiras, precisando da quantia de cinqüenta mil réis (antiga moeda brasileira), para pagamento das taxas da Faculdade e para outros gastos indispensáveis em sua habitação, pois o senhorio, sem qualquer contemplação, ameaçava despejá-lo.

Desesperado -- uma das raras vezes em que Bezerra se desesperou na vida -- e como não fosse incrédulo, ergueu os olhos ao Alto e apelou a Deus.

Poucos dias após bateram- lhe à porta. Era um moço simpático e de atitudes polidas que pretendia tratar algumas aulas de Matemática.

Bezerra recusou, a princípio, alegando ser essa matéria a que mais detestava, entretanto, o visitante insistiu e por fim, lembrando- se de sua situação desesperadora, resolveu aceitar.

O moço pretextou então que poderia esbanjar a mesada recebida do pai, pediu licença para efetuar o pagamento de todas as aulas adiantadamente. Após alguma relutância, convencido, acedeu. O moço entregou- lhe então a quantia de cinqüenta mil réis. Combinado o dia e a hora para o início das aulas, o visitante despediu- se, deixando Bezerra muito feliz, pois conseguiu assim pagar o aluguel e as taxas da Faculdade. Procurou livros na biblioteca pública para se preparar na matéria, mas o rapaz nunca mais apareceu.

No ano de 1894, em face das dissensões reinantes no seio do Espiritismo brasileiro, alguns confrades, tendo à frente o Dr. Bittencourt Sampaio, resolveram convidar Bezerra a fim de assumir a presidência da Federação Espírita Brasileira.

Em vista da relutância dele em assumir aquele espinhoso encargo, travou- se a seguinte conversação:

-- Querem que eu volte para a Federação. Como vocês sabem aquela velha sociedade está sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos metódicos sobre Espiritismo ou sobre o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o espírito de hegemonia.

-- O trabalhador da vinha, disse Bittencourt Sampaio, é sempre amparado. A Federação pode estar errada na sua propaganda doutrinária, mas possui a Assistência aos Necessitados, que basta por si só para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor.

-- De acordo. Mas a Assistência aos Necessitados está adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terapêutica que eu adoto em meu tratamento pessoal, no de minha família e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, médico homeopata. Isto aliás me tem criado sérias dificuldades, tornando- me um médico inútil e deslocado que não crê na medicina oficial e aconselha a dos Espíritos, não tendo assim o direito de exercer a profissão.

-- E por que não te tornas médico homeopata? disse Bittencourt.

-- Não entendo patavinas de Homeopatia. Uso a dos Espíritos e não a dos médicos.

Nessa altura, o médium Frederico Júnior, incorporando o Espírito de S. Agostinho, deu um aparte:

-- Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento dos nossos irmãos.

-- Como, bondoso Espírito? Tu me sugeres viver do Espiritismo?

-- Não, por certo! Viverás de tua profissão, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. Nós te ajudaremos de outro modo: Trazendo- te, quando precisares, novos discípulos de Matemática . . .



Aurora A. de los Santos de Silveira-nasceu no dia 28 de agosto de 1890 e desencarnou no dia 10 de agosto de 1969

Do Site: http://www.espiritismogi.com.br/biografias/aurora.htm

Aurora A. de los Santos de Silveira

Aurora A. de los Santos de Silveira Aurora A. de los Santos de Silveira, pioneira espírita uruguaia, nasceu no dia 28 de agosto de 1890 e desencarnou no dia 10 de agosto de 1969, em Montevidéu. O Espiritismo uruguaio muito deve a essa mulher idealista, que através do seu exemplo e dedicação contribuiu para fazer germinar, naquela nação, a semente generosa da Doutrina dos Espíritos. Sofrendo as agruras de prisões e da separação dos filhos revelou a sua fibra de missionária, não deixando jamais o desempenho de uma tarefa apostólica que a impulsionava, e que culminou com a fundação de uma instituição espírita que também se tornou a pioneira naquela pátria irmã. Filha de José Fabrício dos Santos, brasileiro, e Petrona Tejera, espanhola, Aurora morava no Departamento da Rivera, na República Oriental do Uruguai, motivo que a levou a cursar apenas um ano da escola primária. Sua vida foi repleta de dificuldades e sacrifícios junto a seus familiares, nos afazeres da agricultura. Desde pequena se revelaram nela fenômenos mediúnicos de vidência, que seus pais procuravam reprimir, por desconhecer sua verdadeira causa e por temerem que ela enveredasse pelo caminho da loucura. Foi mãe extremosa de 7 filhos, em dois matrimônios. Em 1933 desencarnou o seu segundo esposo, Gervásio Silveira, deixando- a na maior penúria com absoluta falta de recursos, o que a levou, juntamente com seus filhos, a passar por angustiosa fase. Nesses momentos de grandes aflições, conheceu uma senhora de nome Valentina, que lhe deu alguns folhetos e revistas espíritas. A leitura dessas publicações atuou como verdadeiro bálsamo, preenchendo uma grande lacuna naquele Espírito bondoso e abnegado. Cheia de fé e esperança, Aurora começou a levar os seus filhos a pequenos Centros Espíritas que existiam nas cidades de Rivera e Livramento, na fronteira entre o Brasil e Uruguai, sentindo- se daí por diante bastante aliviada em suas angústias, dedicando- se à leitura de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", de Allan Kardec. No dia 5 de julho de 1935, transferiu seu domicílio para a capital uruguaia, em busca de melhores condições econômicas, passando a trabalhar como costureira. Em Montevidéu, certo dia, estando muito cansada e aflita, pediu a seu filho Baltazar que lesse o único livro espírita que possuía, "O Evangelho Segundo o Espiritismo", ocasião em que se manifestou um espírito que, diante do assombro do moço, apenas disse: "Não temais, venho para ajudar- vos", solicitando que procurassem reunir três ou quatro pessoas, quando então voltaria. Ao despertar, Aurora inteirou- se daquela solicitação e, no dia seguinte promoveu a reunião, segundo a vontade expressa pelo espírito comunicante, que deu o nome de "Bon Ajou". Após a realização dessa sessão, Aurora teve desabrochada a sua mediunidade, passando a fazer curas assombrosas de cegos, paralíticos, cancerosos e de uma série de pessoas desenganadas pela medicina oficial. Sua fama se espargiu e doentes vinham de todos os lugares em busca da cura. Nessa época o Espiritismo no Uruguai era praticamente desconhecido e Aurora foi acusada de exercício ilegal da Medicina, sendo presa e recolhida a uma prisão de mulheres, onde permaneceu durante 6 meses. Seus filhos foram parar nos mais diversos lugares, inclusive em orfanatos. Terminada a sentença, abandonou a prisão, debilitada e abatida, porém isso não impediu que dentro de poucos dias voltasse ao mesmo lugar, reiniciando o seu trabalho apostólico, ajudando os seus irmãos mais necessitados e lutando pela divulgação dos ideais espíritas. Após grandes lutas conseguiu ver realizado o seu sonho, obtendo personalidade jurídica para uma instituição que fundou, o "Centro Evangélico Espiritual Hacia la Verdad", sociedade beneficente cuja inauguração ocorreu em 31 de maio de 1944, e cuja sede própria foi levantada em 1950, na Avenida General Flores, 4.689, em Montevidéu. Tudo isso através do seu esforço, coadjuvado por um livro e um Espírito amigo. Os dados acima foram obtidos por intermédio de Baltazar Silveira, filho da grande pioneira, entretanto, a título de subsídios biográficos, transcreveremos abaixo o que o erudito escritor e orador brasileiro, Newton Boechat, escreveu sobre essa notável batalhadora, em outubro de 1966, quando ela ainda estava entre nós: "D. Aurora de los Santos de Silveira, pioneira no Movimento Espírita Uruguaio, médium notável e destemida, hoje repousando das lutas de antanho, quando era vigoroso seu organismo físico. Enfrentou, vezes inúmeras, o cárcere, a perseguição, os ataques de adversários terríveis, para evidenciar a Mensagem Espírita: o "Hacia la Verdad", é o fruto de seus labores em função do Bem, obtendo, finalmente, personalidade jurídica desde 1944. A venerada sra., junto à lareira da residência de Canellones, muito nos contou das lutas de outrora, com seus ardis e embargos, mas que não lhe puderam frustrar a perseverança. Hoje, o "Hacia la Verdad" é organização respeitável, com centenas de sócios, em sede confortável de 200 butacas (poltronas) e preciosa biblioteca. Seu auditorium lembra o da "Confederação Espírita João Evangelista" da Penha, no Rio de Janeiro. D. Aurora, quando mais tarde for escrita a Historia do Espiritismo Uruguaio, em seus pródromos, aparecerá como inesquecível criatura que, quase só, não poupou esforços na hora do testemunho. Ela é lá o que o Dr. Bezerra, Sayão, Bittencourt, Caírbar, Eurípedes, Lins, Olímpio Teles, Petitinga, Batuíra e tantos outros que já desencarnaram, foram aqui. Nós, espiritistas brasileiros, devemos envolver o nome de d. Aurora de los Santos Silveira, em nosso carinhoso respeito. Que no silêncio de sua residência em Canellones, meditando nas lutas sublimes de outros tempos, junto à lareira amiga e ao chimarrão de que tanto gosta, receba o rocio de nossas irradiações".

AUGUSTO MILITÃO PACHECO-Nascido no dia 13 de junho de l866 e desencarnado em São Paulo, a 7 de julho de 1954.

Do site: http://www.espiritismogi.com.br/biografias.htm
AUGUSTO MILITÃO PACHECO


Nascido no dia 13 de junho de l866 e desencarnado em São Paulo, a 7 de julho de 1954.

Muito deve o Espiritismo ao Dr. Augusto Militão Pacheco, pelo testemunho que deu da Doutrina dos Espíritos. Animado de uma fé imorredoura na vida espiritual conseguiu prelibar, através da existência transitória do corpo, a vida imortal do Espírito imperecível.

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, no ano de 1904, Militão Pacheco foi nesse mesmo ano convidado a ir ao Estado do Maranhão a fim de ajudar a debelar um surto de peste bubônica que grassava naquela região do norte do Brasil. Apesar de não contar com qualquer espécie de hospital de isolamento nem com condições adequadas para o combate àquela enfermidade contagiosa, dirigiu- se para lá em companhia do diretor do Hospital de Isolamento de S. Paulo, dois médicos mineiros e mais um outro, conseguindo marcante sucesso na tarefa. Nessa altura foi convidado para ser diretor do Serviço Sanitário do Estado do Maranhão pelo período de dois anos. Para lá transferiu- se com sua esposa e três filhos, porém, renunciou após oito meses de atividades intensas, por não ver atendidas as suas reivindicações, imprescindíveis para o bom andamento dos serviços.

Nos primeiros anos do presente século (não nos foi possível comprovar se em 1901 ou 1902), comparecendo a uma sessão espírita, ali lembrou- se de sua filhinha desencarnada com apenas 52 dias de vida e formulou ardente solicitação mental para que ela viesse beijá- lo. Sem que tivesse qualquer conhecimento do desejo que alimentava, os médiuns videntes que ali estavam presentes, decorridos alguns minutos descreveram que o Espírito da menina havia se dirigido ao pai e ali estava cobrindo- o de beijos. Esse testemunho foi o suficiente para que Militão Pacheco se convertesse ao Espiritismo.

Um outro fato veio mudar o rumo de sua vida, Sua esposa sofria, há alguns anos, de pertinaz enfermidade e, para curá-la havia ele esgotado todos os recursos que a medicina alopática lhe havia proporcionado. Visitando a família do Juiz de Direito, de Campinas, ela teve ali uma das suas crises. A esposa do juiz pediu permissão para recomendar- lhe um remédio homeopático. O remédio foi comprado e o tratamento iniciado. Após essa ocorrência ela teve apenas duas ameaças de crise e o mal desapareceu por completo. O Dr. Pacheco, que vinha exercendo a medicina alopática há cinco anos, procurou o único médico homeopata existente em Campinas, iniciando assim um estudo profundo sobre a homeopatia, para o que conseguiu alguns livros a título de empréstimo. Dali por diante deixou por completo de praticar a medicina alopática.

No dia 23 de julho de 1896, através de decreto assinado pelo então presidente do Estado de S. Paulo, Jorge Tibiriçá e por Gustavo de Oliveira Godoy, Militão Pacheco foi nomeado, em comissão, para exercer o cargo de inspetor sanitário do Estado, cargo no qual foi efetivado a 26 de setembro do mesmo ano, exercendo- o até 1920, quando se aposentou.

Durante mais de meio século, o Dr. Pacheco exerceu na capital paulista o apostolado da Medicina. E dlizemos apostolado porque foi notável médico no sentido cordial, humanitário, prestativo, dedicando- se inteiramente à tarefa de auxiliar o seu próximo, conseguindo desta forma realizar gigantesco trabalho de assistência individual e coletiva como poucos conseguiram realizar na Terra. O prestigioso jomal "Diário de S. Paulo", em sua edição de 27 de junho de 1944, publicou extensa reportagem sobre as festividades comemorativas do cinqüentenário de formatura e de exercício de profissão do Dr. Augusto Militão Pacheco. Através de numerosos discursos proferidos na oportunidade, pudemos conhecer verdadeiros rasgos de generosidade e de amor, partidos da figura inconfundível daquele que tinha em alta conta a dignidade humana e o sacerdócio da Medicina.

Foi sempre de incomparável bondade no tratamento de todos os seus incontáveis clientes, retornando ao mundo espiritual abençoado por milhares de corações, legando aos homens uma vida que se constituiu em verdadeiro modelo de virtude, um exemplo incomparável de beleza moral, emanada de um caráter reto e de uma decisão inquebrantável. Muitas pessoas que não podiam pagar consultas, eram atendidas com igual dedicação e não raras voltavam com o auxílio financeiro para a aquisição dos remédios prescritos por aquelas mãos abençoadas. No terreno filosófico, conquanto fosse grande admirador de geniais pensadores de várias escolas, pois era um cidadão independente e portador de invejável cultura intelectual e científica, nunca negou a sua incondicional dedicação à Doutrina Espírita, tornando- se um dos espíritas mais respeitáveis e dignos em nosso Estado e mesmo no Brasil. Médico essencialmente homeopata, honrou e dignificou a medicina hanemaniana, tendo consagrado ao Espiritismo o melhor de sua nobilitante e proveitosa existência. Era na realidade autêntica fonte inesgotável destinada a suavizar as dores do corpo e minorar os sofrimentos da alma.

Em julho de 1936, quando se cogitou da fundação da Federação Espírita do Estado de S. Paulo, foi um dos elementos que mais propugnaram para essa realização. A reunião convocada para apreciar a redação final dos estatutos sociais e proceder à eleição da primeira diretoria, foi por ele presidida, passando a figurar como um dos seus sócios fundadores e sido eleito vice- presidente da primeira diretoria constituída. Durante muitos anos foi presidente da Associação Espírita São Pedro e São Paulo, uma das mais prestigiosas instituições espíritas de seu tempo, a qual posteriormente veio a se integrar na Federação.

Aristides de Souza Spínola nasceu em Caetité (Bahia), a 29 de Agosto de 1850, e Faleceu no Rio de Janeiro aos 9 de Julho de 1925.

 Do Site: http://www.espiritismogi.com.br/biografias/aristides.htm
Aristides de Souza Spínola

Aristides de Souza Spínola nasceu em Caetité (Bahia), a 29 de Agosto de 1850, e Faleceu no Rio de Janeiro aos 9 de Julho de 1925.

Filho do Cel. Francisco de Souza Spínola, que foi deputado geral em três legislaturas, e de D. Constança Pereira de Souza Spínola. Esta família ilustre e de prestígio na Bahia criou o filho dentro de rígidos princípios morais, fazendo-lhe ver o valor de um nome honrado.

Bem cedo, o menino revelou-se altamente curioso de tudo que lhe chegasse aos sentidos, elaborando, às vezes, perguntas bastante embaraçosas e que demonstravam a viva inteligência de que era dotado.

No ano de 1871, bacharelou-se em Direito, após cursar brilhantemente a Faculdade de Direito do Recife. A sua aplicação e assiduidade foram tais, que durante os cinco anos do curso acadêmico não teve uma única falta ! Abriu, em seguida, a banca de advogado em sua terra natal. Fez, por essa época, diversas excursões pelo interior da Bahia e, particularmente, pelo vale do S. Francisco, com o fim de estudar as localidades e colher notas para os seus estudos históricos.

Bem moço ainda, entrou na carreira política, tendo sido eleito, em 1878, deputado provincial pela Bahia. Por indicação do Dr. Aristides César Spínola Zama, seu primo, foi nomeado, de 1879 a 1880, Presidente da Província (Estado) de Goiás, tendo ouvido do imperador D. Pedro II, quando a este foi agradecer a nomeação, elogiosas referências aos predicados morais e intelectuais de que já havia dado provas.

Em 1881, na primeira legislatura de eleição direta, representou a sua terra na Assembléia Geral do Império. Ganhando prestígio sempre crescente ante o eleitorado baiano, foi reeleito deputado geral nas legislaturas de 1885 e de 1886 a 1889, sendo que nesta última fora eleito na vaga aberta pela morte de Pedro Carneiro da Silva.

Ao ser proclamada a República, em 1889, ocupava ele, o mais jovem dos deputados, o cargo de 1º Secretário da Câmara. No regime republicano, depois de haver pleiteado, por duas vezes, a eleição de deputado federal, só conseguiu ser reconhecido para a de 1909-1911, dando-se neste último ano o seu afastamento definitivo da política, para se consagrar exclusivamente à advocacia e ao estudo e meditação da Doutrina Espírita, que já o contava de há muito entre seus adeptos mais fervorosos, sinceros e esclarecidos.

Foi em 1905 que Aristides Spínola ingressou na Federação Espírita Brasileira, convidado pelo então Diretor na Assistência aos Necessitados, Pedro Ricardo.

Eleito para o cargo de vice-presidente, na do Dr. Geminiano Brazil de Oliveira Góis, outro espírita ilustre e fiel, Aristides Spínola desenvolveu naquela Casa toda uma atividade polimorfa e intensa, a ela se dedicando durante vinte e um anos seguidos, amado por todos os companheiros que com ele privaram.

Na vice-presidência da FEB permaneceu de 1905 a 1913. Presidente em 1914 e em 1916 e 1917, voltando a exercer o cargo de vice-presidente em 1920 e 1921. Ocupou, de novo, de 1922 a 1924, a direção da Casa, sendo eleito, em 1925, para a vice-presidência, cargo que desempenhou até à data de sua desencarnação, ocorrida aos 9 de Julho do mesmo ano.

Foi, assim, presidente da Federação Espírita Brasileira durante seis anos e vice-presidente onze anos e meio. Nunca, porém, solicitou ou disputou nenhum desses cargos, ou qualquer outro da Diretoria da Federação, fazendo questão unicamente de prestar-lhe seus serviços, fosse de que maneira fosse, pronto, declarou-o mais de uma vez, humilde e modesto como de fato sempre foi, a ocupar o de porteiro se só neste o julgassem apto a servir.

E dado lhe foi satisfazer amplamente a esse desejo seu, porquanto, desde o primeiro dia em que se incorporou à caravana dos que na Federação laboravam, relevantes e ininterruptos serviços lhe prestou, seja como membro da sua administração, seja fora de qualquer cargo administrativo.

O que ele queria era trabalhar. E trabalhou sempre, e muito, e trabalhou bem.

Dentre esses serviços merecem destacados os que teve ensejo de dispensar-lhe como advogado, de todas as vezes em que o Espiritismo se viu alvejado pela ciência oficial, sob a forma de perseguições aos médiuns, por exercício ilegal da medicina.

Como jornalista de irrecusável mérito, Aristides Spínola colaborou em vários jornais . No “Diário da Bahia” escreveu as narrativas de algumas de suas excursões realizadas na juventude. Com o pseudônimo Buxton, defendeu, em “A Pedidos” do “Jornal do Comércio “, do Rio, o Ministério Dantas. Foi um dos fundadores, em 1891, do “Jornal do Brasil”, onde teve a seu cargo a parte política. Antes, pertencera à redação de um diário, cremos que a “Gazeta da Tarde “, que fora empastelado em 1897, achando-se Aristides Spínola no edifício do jornal quando essa violência se consumou.

Além de alguns escritos inéditos e muitos outros estampados em periódicos espíritas e leigos, são de sua pena, entre outras, as seguintes obras: “Presidência do Barão Homem de Melo. Excursões administrativas”, Bahia 1879; “Relatórios sobre a administração da Província de Goiás, 1879-1880 (2 vols.); “Estudo sobre os índios que habitam as margens do rio Araguaia”, memória em que estuda os índios carajás e que se acha anexa ao relatório da exploração desse rio pelo engenheiro J. R. de Morais Jardim, Rio, 1880; “Orçamento do Ministério da Agricultura”, discurso proferido na sessão da Câmara dos Srs. Deputados, em 13 de Julho de 1882, Rio, 1882; “Elemento Servil”, Discursos proferidos em sessões da Câmara, de 22 de Junho e 4 de Junho de 1883, Rio, 1883. Em 1889, deu a público uma tese que apresentou no Instituto da Ordem dos Advogados do Brasil, versando sobre direitos do comerciante no exercício de sua profissão. Sob os auspícios da Federação Espírita Brasileira, foi editada, em 1902, a tradução que Spínola fez da obra do Dr. E. Gyel: “Ensaio de revista geral e da interpretação sintética do Espiritismo”. Em 1915, com o título “Caridade perseguida”, fez imprimir um memorial de recurso criminal.

Sólida erudição espírita, teológica e jurídica projetaram-lhe o nome dentro e fora do campo espírita sendo-lhe admirados o critério e a ponderação com que resolvia os problemas administrativos, bem como o espírito evangélico e conciliador nos mais delicados e controvertidos assuntos.

Amélie Gabrielle Boudet-Madame Rivail (Sra. Allan Kardec)

                       Amélie Gabrielle Boudet
 Do site:

http://www.espiritismogi.com.br/biografias/amelie.htm

Madame Rivail (Sra. Allan Kardec) nasceu em Thiais, cidade do menor e mais populoso Departamento francês – o Sena, aos 2 do Frimário do ano IV, segundo o Calendário Republicano então vigente na França, e que corresponde a 23 de Novembro de 1795.

Filha de Julien-Louis Boudet, proprietário e antigo tabelião, homem portanto bem colocado na vida, e de Julie-Louise Seigneat de Lacombe, recebeu, na pia batismal o nome de Amélie-Gabrielle Boudet.

A menina Amélie, filha única, aliando desde cedo grande vivacidade e forte interesse pelos estudos, não foi um problema para os pais, que, a par de fina educação moral, lhe proporcionaram apurados dotes intelectuais.

Após cursar o colégio primário, estabeleceu-se em Paris com a família, ingressando numa Escola Normal, de onde saiu diplomada em professora de 1a. classe.

Revela-nos o Dr. Canuto de Abreu que a senhorinha Amélie também foi professora de Letras e Belas Artes, trazendo de encarnações passadas a tendência inata, por assim dizer, para a poesia e o desenho. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras, assim nomeadas: “Contos Primaveris”, 1825; “Noções de Desenho”, 1826; “O Essencial em Belas Artes”, 1828.

Vivendo em Paris, no mundo das letras e do ensino, quis o Destino que um dia a Srta. Amélie Boudet deparasse com o Professor Hippolyte Denizard Rivail.

De estatura baixa, mas bem proporcionada, de olhos pardos e serenos, gentil e graciosa, vivaz nos gestos e na palavra, denunciando inteligência admirável, Amélie Boudet, aliando ainda a todos esses predicados um sorriso terno e bondoso, logo se fez notar pelo circunspecto Prof. Rivail, em quem reconheceu, de imediato, um homem verdadeiramente superior, culto, polido e reto.

Em 6 de Fevereiro de 1832, firmava-se o contrato de casamento. Amélie Boudet, tinha nove anos mais que o Prof. Rivail, mas tal era a sua jovialidade física e espiritual, que a olhos vistos aparentava a mesma idade do marido. Jamais essa diferença constituiu entrave à felicidade de ambos.

Pouco tempo depois de concluir seus estudos com Pestalozzi, no famoso castelo suíço de Zahringen (Yverdun), o Prof. Rivail fundara em Paris um Instituto Técnico, com orientação baseada nos métodos pestalozzianos. Madame Rivail associou-se ao esposo na afanosa tarefa educacional que ele vinha desempenhando no referido Instituto havia mais de um lustro.

Grandemente louvável era essa iniciativa humana e patriótica do Prof. Rivail, pois, não obstante as leis sucessivas decretadas após a Revolução Francesa em prol do ensino, a instrução pública vivia descurada do Governo, tanto que só em 1833, pela lei Guizot, é que oficial e definitivamente ficaria estabelecido o ensino primário na França.

Em 1835, o casal sofreu doloroso revés. Aquele estabelecimento de ensino foi obrigado a cerrar suas portas e a entrar em liquidação. Possuindo, porém, esposa altamente compreensiva, resignada e corajosa, fácil lhe foi sobrepor-se a esses infaustos acontecimentos. Amparando-se mutuamente, ambos se lançaram a maiores trabalhos. Durante o dia, enquanto Rivail se encarregava da contabilidade de casas comerciais, sua esposa colaborava de alguma forma na preparação dos cursos gratuitos que haviam organizado na própria residência, e que funcionaram de 1835 a 1840.

À noite, novamente juntos, não se davam a descanso justo e merecido, mas improdutivo. O problema da instrução às crianças e aos jovens tornara-se para Prof. Rivail, como o fora para seu mestre Pestalozzi, sempre digno da maior atenção. Por isso, até mesmo as horas da noite ele as dividia para diferentes misteres relacionados com aquele problema, recebendo em todos a cooperação talentosa e espontânea de sua esposa. Além de escrever novas obras de ensino, que, aliás, tiveram grande aceitação, o Prof. Rivail realizava traduções de obras clássicas, preparava para os cursos de Lévi-Alvarès, freqüentados por toda a juventude parisiense do bairro de São Germano, e se dedicava ainda, em dias certos da semana, juntamente com sua esposa, a professorar as matérias estatuídas para os já referidos cursos gratuitos.

“Aquele que encontrar uma mulher boa, encontrará o bem e achará gozo no Senhor” - disse Salomão. Amélie Boudet era dessas mulheres boas, nobres e puras, e que, despojadas das vaidades mundanas, descobrem no matrimônio missões nobilitantes a serem desempenhadas.

Nos cursos públicos de Matemáticas e Astronomia que o Prof. Rivail bi-semanalmente lecionou, de 1843 a 1848, e aos quais assistiram não só alunos, que também professores, no “Liceu Polimático” que fundou e dirigiu até 1850, não faltou em tempo algum o auxilio eficiente e constante de sua dedicada consorte.

Todas essas realizações e outras mais, a bem do povo, se originaram das palestras costumeiras entre os dois cônjuges, mas, como salientou a Condessa de Ségur, deve-se principalmente à mulher, as inspirações que os homens concretizam. No que toca à Madame Rivail, acreditamos que em muitas ocasiões, além de conselheira, foi ela a inspiradora de vários projetos que o marido pôs em execução. Aliás, é o que nos confirma o Sr. P. J. Leymarie ( que com ambos privara ) ao declarar que Kardec tinha em grande consideração as opiniões de sua esposa.

Graças principalmente às obras pedagógicas do professor Rivail, adotadas pela própria Universidade de França, e que tiveram sucessivas edições, ele e senhora alcançaram uma posição financeira satisfatória.

O nome Denizard Rivail tornou-se conhecido nos meios cultos e além do mais bastante respeitado. Estava aberto para ele o caminho da riqueza e da glória, no terreno da Pedagogia. Sobrar-lhe-ia, agora, mais tempo para dedicar-se à esposa, que na sua humildade e elevação de espírito jamais reclamara coisa alguma.

A ambos, porém, estava reservada uma missão, grandiosa pela sua importância universal, mas plena de exaustivos trabalhos e dolorosos espinhos.

O primeiro toque de chamada verificou-se em 1854, quando o Prof. Rivail foi atraído para os curiosos fenômenos das “mesas girantes”, então em voga no Mundo todo. Outros convites do Além se seguiram, e vemos, em meados de 1855, na casa da Família Baudin, o Prof. Rivail iniciar os seus primeiros estudos sérios sobre os citados fenômenos, entrevendo, ali, a chave do problema que durante milênios viveu na obscuridade.

Acompanhando o esposo nessas investigações, era de se ver a alegria emotiva com que ela tomava conhecimento dos fatos que descerravam para a Humanidade novos horizontes de felicidade. Após observações e experiências inúmeras, o professor Rivail pôs mãos à maravilhosa obra da Codificação, e é ainda de sua cara consorte, então com 60 anos, que ele recebe todo o apoio moral nesse cometimento. Tornou-se ela verdadeira secretária do esposo, secundando-o nos novos e bem mais árduos trabalhos que agora lhe tomavam todo o tempo, estimulando-o, incentivando-o no cumprimento de sua missão.

Sem dúvida, os espíritas, muito devemos a Amélie Boudet e estamos de acordo com o que acertadamente escreveu Samuel Smiles: os supremos atos da mulher geralmente permanecem ignorados, não saem à luz da admiração do mundo, porque são feitos na vida privada, longe dos olhos do público, pelo único amor do bem.

O nome de Madame Rivail enfileira-se assim, com muita justiça, entre os de inúmeras mulheres que a História registrou como dedicadas e fiéis colaboradoras dos seus esposos, sem as quais talvez eles não levassem a termo as suas missões. Tais foram, por exemplo, as valorosas esposas de Lavoisier, de Buckland, de Flaxman, de Huber, de Sir William Hamilton, de Stuart Mill, de Faraday, de Tom Hood, de Sir Napier, de Pestalozzi, de Lutero, e de tantos outros homens de gênio. A todas essas Grandes Mulheres, além daquelas muito esquecidas pela História, a Humanidade é devedora eterna!

Lançado O Livro dos Espíritos, da lavra de Allan Kardec, pseudônimo que tomou o Prof. Rivail, este, meses depois, a 1o. de Janeiro de 1858, com o apoio tão somente de sua esposa, deu a lume o primeiro número da “Revue Spirite”, periódico que alcançou mais de um século de existência grandemente benéfica ao Espiritismo.

Havia cerca de seis meses que na residência do casal Rivail, então situada à Rua dos Mártires n. 8, se efetuavam sessões bastante concorridas, exigindo da parte de Madame Rivail uma série de cuidados e atenções, que por vezes a deixavam extenuada. O local chegou a se tornar apertado para o elevado número de pessoas que ali compareciam, de sorte que em Abril de 1858 Allan Kardec fundava, fora do seu lar, a “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”. Mais uma obra de grave responsabilidade!

Tomar tais iniciativas naquela recuada época, em que o despotismo clerical ainda constituía uma força, não era tarefa para muitos. Havia necessidade de larga dose de devotamento, firmeza de vistas e verdadeiro espírito de sacrifício.

Ao casal Rivail é que coube, apesar de todos os escolhos e perigos que se lhe deparariam em a nova estrada, empreender, com a assistência e proteção do Alto, a maior revolução de idéias de que se teve notícia nos meados do século XIX.

Allan Kardec foi alvo do ódio, da injúria, da calúnia, da inveja, do ciúme e do despeito de inimigos gratuitos, que a todo custo queriam conservar a luz sob o alqueire.

Intrigas, traições, insultos, ingratidões, tudo de mal cercou o ilustre reformador, mas em todos os momentos de provas e dificuldades sempre encontrou, no terno afeto de sua nobre esposa, amparo e consolação, confirmando-se essas palavras de Simalen: “A mulher é a estrela de bonança nos temporais da vida.”

Com vasta correspondência epistolar, proveniente da França e de vários outros países, não fosse a ajuda de sua esposa nesse setor, sem dúvida não sobraria tempo para Allan Kardec se dedicar ao preparo dos livros da Codificação e de sua revista.

Uma série de viagens ( em 1860, 1861, 1862, 1864, etc, ) realizou Kardec, percorrendo mais de vinte cidades francesas, além de várias outras da Suíça e da Bélgica, em todas semeando as idéias espíritas. Sua veneranda consorte, sempre que suas forças lhe permitiam, acompanhou-o em muitas dessas viagens, cujas despesas, cumpre informar, corriam por conta do próprio casal. Parafraseando o escritor Carlyle, poder-se-ia dizer que Madame Allan Kardec, pelo espaço de quase quarenta anos, foi a companheira amante e fiel do seu marido, e com seus atos e suas palavras sempre o ajudou em tudo quanto ele empreendeu de digno e de bom.

Aos 31 de Março de 1869, com 65 anos de idade, desencarnava, subitamente, Allan Kardec, quando ultimava os preparativos para a mudança de residência. Foi uma perda irreparável para o mundo espiritista, lançando em consternação a todos quantos o amaram. Madame Allan Kardec, quer partilhara com admirável resignação as desilusões e os infortúnios do esposo, agora, com os cabelos nevados pelos seus 74 anos de existência e a alma sublimada pelos ensinos dos Espíritos do Senhor, suportaria qualquer realidade mais dura. Ante a partida do querido companheiro para a Espiritualidade, portou-se como verdadeira espírita, cheia de fé e estoicismo, conquanto, como é natural, abalada no profundo do ser.

No cemitério de Montmartre, onde, com simplicidade, aos 2 de Abril se realizou o sepultamento dos despojos do mestre, comparecia uma multidão de mais de mil pessoas. Discursaram diversos oradores, discípulos dedicados de Kardec, e por último o Sr. E. Muller, que logo no princípio do seu elogio fúnebre ao querido extinto assim se expressou: “Falo em nome de sua viúva, da qual lhe foi companheira fiel e ditosa durante trinta e sete anos de felicidade sem nuvens nem desgostos, daquela que lhe compartiu as crenças e os trabalhos, as vicissitudes e as alegrias, e que se orgulhava da pureza dos costumes, da honestidade absoluta e do desinteresse sublime do esposo; hoje, sozinha, é ela quem nos dá a todos o exemplo de coragem, de tolerância, do perdão das injúrias e do dever escrupulosamente cumprido.”

Madame Allan Kardec recebeu da França e do estrangeiro, numerosas e efusivas manifestações de simpatia e encorajamento, o que lhe trouxe novas forças para o prosseguimento da obra do seu amado esposo.

Desejando os espiritistas franceses perpetuar num monumento o seu testemunho de profundo reconhecimento à memória do inesquecível mestre, consultaram nesse sentido a viúva, que, sensibilizada com aqueles desejos humanos mas sinceros, anuiu, encarregando desde logo uma comissão para tomar as necessárias providências. Obedecendo a um desenho do Sr. Sebille, foi então levantado no cemitério do Père-Lachaise um dólmen, constituído de três pedras de granito puro, em posição vertical, sobre as quais se colocou uma quarta pedra, tabular, ligeiramente inclinada, e pesando seis toneladas. No interior deste dólmen, sobre uma coluna também de pedra, fixou-se um busto, em bronze, de Kardec.

Esta nova morada dos despojos mortais do Codificador foi inaugurada em 31 de Março de 1870 , e nessa ocasião o Sr. Levent, vice-presidente da “Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas”, discursou, a pedido de Madame Allan Kardec, em nome dela e dos amigos.

Cerca de dois meses após o decesso do excelso missionário de Lyon, sua esposa, no desejo louvável de contribuir para a realização dos plano futuros que ele tivera em mente, e de cujas obras, revista e Livraria passou a ser a única proprietária legal, houve por bem, no interesse da Doutrina, conceder todos os anos certa verba para uma “Caixa Geral do Espiritismo”, cujos fundos seriam aplicados na aquisição de propriedades, a fim de que pudessem ser remediadas quaisquer eventualidades futuras.

Outras sábias decisões foram por ela tomadas no sentido de salvaguardar a propaganda do Espiritismo, sendo, por isso, bastante apreciado pelos espíritas de todo o Mundo o seu nobre desinteresse e devotamento.

Apesar de sua avançada idade, Madame Allan Kardec demonstrava um espírito de trabalho fora do comum, fazendo questão de tudo gerir pessoalmente, cuidando de assuntos diversos, que demandariam várias cabeças. Além de comparecer à reuniões, para as quais era convidada, todos os anos presidia à belíssima sessão em que se comemorava o Dia dos Mortos, e na qual, após vários oradores mostrarem o que em verdade significa a morte à luz do Espiritismo, expressivas comunicações de Espíritos Superiores eram recebidas por diversos médiuns.

Se Madame Allan Kardec – conforme se lê em Revue Spirite de 1869 – se entregasse ao seu interesse pessoal, deixando que as coisas andassem por si mesmas e sem preocupação de sua parte, ela facilmente poderia assegurar tranqüilidade e repouso à sua velhice. Mas, colocando-se num ponto de vista superior, e guiada, além disso, pela certeza de que Allan Kardec com ela contava para prosseguir, no rumo já traçado, a obra moralizadora que lhe foi objeto de toda a solicitude durante os últimos anos de vida, Madame Allan Kardec não hesitou um só instante. Profundamente convencida da verdade dos ensinos espíritas, ela buscou garantir a vitalidade do Espiritismo no futuro, e, conforme ela mesma o disse, melhor não saberia aplicar o tempo que ainda lhe restava na Terra, antes de reunir-se ao esposo.

Esforçando-se por concretizar os planos expostos por Allan Kardec em “Revue Spirite” de 1868, ela conseguiu, depois de cuidadosos estudos feitos conjuntamente com alguns dos velhos discípulos de Kardec, fundar a “Sociedade Anônima do Espiritismo”.

Destinada à vulgarização do Espiritismo por todos os meios permitidos pelas leis, a referida sociedade tinha, contudo, como fito principal, a continuação da “Revue Spirite”, a publicação das obras de Kardec e bem assim de todos os livros que tratassem do Espiritismo.

Graças, pois, à visão, ao empenho, ao devotamento sem limites de Madame Allan Kardec, o Espiritismo cresceu a passos de gigante, não só na França, que também no Mundo todo.

Estafantes eram os afazeres dessa admirável mulher, cuja idade já lhe exigia repouso físico e sossego de espírito. Bem cedo, entretanto, os Céus a socorreram. O Sr. P. G. Leymarie, um dos mais fervorosos discípulos de Kardec desde 1858, médium, homem honesto e trabalhador incansável, assumiu em 1871 a gerência da Revue Spirite e da Livraria, e logo depois, com a renúncia dos companheiros de administração da sociedade anônima, sozinho tomou sob os ombros os pesados encargos da direção. Daí por diante, foi ele o braço direito de Madame Allan Kardec, sempre acatando com respeito as instruções emanadas da venerável anciã, permitindo que ela terminasse seus dias em paz e confiante no progresso contínuo do Espiritismo.

Parecendo muito comercial, aos olhos de alguns espíritas puritanos, o título dado à Sociedade, Madame Allan Kardec, que também nunca simpatizara com esse título, mas que o aceitara por causa de certas conveniências, resolveu, na assembléia geral de 18 de Outubro de 1873, dar-lhe novo nome: “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”, satisfazendo com isso a gregos e troianos.

Muito ainda fez essa extraordinária mulher a prol do Espiritismo e de todos quantos lhe pediam um conselho ou uma palavra de consolo, até que em 21 de Janeiro de 1883, às 5 horas da madrugada, docemente, com rara lucidez der espírito, com aquele mesmo gracioso e meigo sorriso que sempre lhe brincava nos lábios, desatou-se dos últimos laços que a prendiam à matéria.

A querida velhinha tinha então 87 anos, e nessa idade, contam os que a conheceram, ainda lia sem precisar de óculos e escrevia ao mesmo tempo corretamente e com letra firme.

Aplicando-lhe as expressões de célebre escritor, pode-se dizer, sem nenhum excesso, que “sua existência inteira foi um poema cheio de coragem, perseverança, caridade e sabedoria”.

Compreensível, pois, era a consternação que atingiu a família espírita em todos os quadrantes do globo. De acordo com o seus próprios desejos, o enterro de Madame Allan Kardec foi simples e espiriticamente realizado, saindo o féretro de sua residência, na Avenida e Vila Ségur n. 39, para o Père-Lachaise, a 12 quilômetros de distância.

Grande multidão, composta de pessoas humildes e de destaque, compareceu em 23 de Janeiro às exéquias junto ao dólmen de Kardec, onde os despojos da velhinha foram inumados e onde todos os anos, até à sua desencarnação, ela compareceu às solenidades de 31 de março.

Na coluna que suporta o busto do Codificador foram depois gravados, à esquerda, esses dizeres em letras maiúsculas: AMÈLIE GABRIELLE BOUDET – VEUVE ALLAN KARDEC – 21 NOVEMBRE 1795 – 21 JANVIER 1883.

No ato do sepultamento falaram os Srs. P.G. Leymarie, em nome de todos os espíritas e da “Sociedade para a Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”, Charles Fauvety, ilustre escritor e presidente da “Sociedade Científica de Estudos Psicológicos”, e bem assim representantes de outras Instituições e amigos, como Gabriel Delanne, Cot, Carrier, J. Camille Chaigneau, poeta e escritor, Lecoq, Georges Cochet, Louis Vignon, que dedicou delicados versos à querida extinta, o Dr. Josset e a distinta escritora, a Sra. Sofia Rosen-Dufaure, todos fazendo sobressair os reais méritos daquela digna sucessora de Kardec. Por fim, com uma prece feita pelo Sr. Warroquier, os presentes se dispersaram em silêncio.

A nota mais tocante daquelas homenagens póstumas foi dada pelo Sr. Lecoq. Leu ele, para alegria de todos, bela comunicação mediúnica de Antonio de Pádua, recebida em 22 de Janeiro, na qual esse iluminado Espírito descrevia a brilhante recepção com que elevados Amigos do Espaço, juntamente com Allan Kardec, acolheram aquele ser bem aventurado.

No improviso do Sr. P.G. Leymarie, este relembrou, em traços rápidos, algo da vida operosa da veneranda extinta, da sua nobreza d'alma, afirmando, entre outras coisas, que a publicação tanto de O Livro dos Espíritos, quanto da Revue Spirite, se deveu em grande parte à firmeza de ânimo, à insistência, à perseverança de Madame Allan Kardec.

Não deixando herdeiros diretos, pois que não teve filhos, por testamento fez ela sua legatária universal a “Sociedade para Continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”. Embora uma parenta sua, já bem idosa, e os filhos desta intentassem anular essas disposições testamentárias, alegando que ela não estava em perfeito juízo, nada, entretanto, conseguiram, pois as provas em contrário foram esmagadoras.

Em 26 de Janeiro de 1883, o conceituado médium parisiense Sr. E. Cordurié recebia espontaneamente uma mensagem assinada pelo Espírito de Madame Allan Kardec, logo seguida de outra, da autoria de seu esposo. Singelas na forma, belas nos conceitos, tinham ainda um sopro de imortalidade e comprovavam que a vida continua...


CONSELHO ESPIRITA INTERNACIONAL http://www.tvcei.com/ FEDERAÇÃO ESPIRITA BRASILEIRA http://www.febnet.org.br/

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